domingo, 20 de dezembro de 2009

O QUE DEIXAMOS PRA TRÁS - PARTE 1 ou APERTANDO O RESET



Possivelmente um dos anos mais importante das nossas vidas é justamente o ano que concluímos o Ensino Médio. Eu concluí o meu em 1999, logo, dez anos atrás.
Quando faço uma reflexão da minha vida, imaginando o que eu poderia ter feito pra que ela fosse diferente, remeto-me às escolhas que fiz em 1999.
Primeiramente eu decidi parar de estudar. O vestibular pouca importância tinha para a minha vida, pelo menos era o que queria que todos pensassem. Aprendi com Calvin (das tirinhas de Bill Watterson, Calvin e Haroldo) que a vida é bem mais fácil quando as pessoas não têm grandes expectativas sobre a gente. Porém, por mais que desejemos enganar os outros, não tem como mentir para nós mesmos. E como a vida bebe fortemente da causalidade, nada fica ao acaso. Causa e efeito, Rafael.
Em 1999 eu desisti de estudar, de fazer vestibular, de acreditar em mim, de acreditar nos outros, de me apaixonar, de ser humilde, da minha viagem de encerramento do Ensino Médio, da minha festa de formatura... Eu desisti de tudo.
Hoje, dez anos depois, pago cruelmente por todas essas escolhas. Embora eu tenha feito escolhas que me ferraram a alma depois disso, o ano o qual meu Delorien deveria retornar pra que eu mudasse uma coleção de fracassos era 1999.
Às vezes não percebemos que pequenas coisas são os pontos-chave das nossas vidas. Embora devamos acreditar que temos uma oportunidade de fazer tudo diferente a cada segundo, não é fácil colocar isso na prática. Acho uma grande estupidez quando se nega ao ser humano o direito ao ódio, à mágoa, a autopiedade, dentre outros sentimentos. Ok. Eu admito. Não são sentimentos nobres, mas são natos aos seres humanos.
Quando visualizo a situação de reencontrar meus antigos colegas do colégio, penso, “que porra eu vou dizer a eles? Que cresci e virei um fracassado?
Foi minha escolha não ter feito medicina ou direito, para desgosto de toda uma família e uma gama de amigos íntimos. Mas o pior não foi isso. Depois de 99 me acostumei a não querer correr risco, adotei a filosofia do “foda-se”. Se qualquer situação me incomodasse – foda-se. Se alguém fosse me censurar – foda-se. Eu mandei tudo se fuder. Porém, quem acabou um fudido fui eu.
Não preciso nem dizer que essa filosofia jazeu em minha vida, visto que ela me colocou numa prisão durante dez anos. Será, então, que ao reencontrar meus antigos amigos devo dizer a eles que apertei o botão de “reset” da minha vida após passar os últimos dez anos numa das piores prisões do mundo?
Essa é a verdade. Passei os últimos dez anos numa prisão. Meu crime? Ter desistido de lutar, ter perdido minha luta por WO, ter fracassado por medo de fracassar. Não existe pior prisão que sua mente. Anos de análise e terapia servem para isso. Para que você liberte você de dentro de você mesmo.
Pois bem, amigos. Não sou doutor em nada, não tenho um único centavo, nem tenho nenhum grande feito para contar, a não ser que conquistei algumas vitórias dentre as enxurradas de fracassos. Perdi o medo de me apaixonar e casei com a mulher mais incrível que eu poderia ter (quem me aguentaria se não fosse incrível?); fiz amigos excepcionais, inteligentíssimos e que não estão nem aí e nem perto de chegar para os meus fracassos, ou melhor, estão sempre do meu lado, me ajudando a dar a volta por cima; passei a valorizar mais a minha família, base pra tudo de bom que sou, fui e serei.
É clichê, mas a vida é cíclica, sempre tem um ponto de retorno. Estou nesse ponto. Mais uma vez tenho que correr atrás de tudo. Voltei a ter um corpo nojento, não tenho emprego ou carreira, nem dinheiro suficiente pra comprar um Big Big, mas hoje tenho maturidade pra enxergar a vida de outra forma. Já tive um corpo sarado, tive estabilidade econômica e profissional, mas pior do que não saber perder é não saber ganhar. Agora eu sei, estou aprendendo a ser um gauche melhor.
Sou apenas um idealista, e idealistas são assim, meio estranhos. Mas nunca desistem.

Não diga que a vitória esta perdida. Se é de batalhas que se vive a vida

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

AVULSO, EU? IMAGINA! ou O FAMOSO... QUEM?


Na segunda-feira, 15 de dezembro, fui a um evento literário na Gerência de Literatura e Editoração do Recife. O evento tinha por objetivo o lançamento dos livros vencedores do Prêmio Literário Cidade do Recife 2007 do Conselho Municipal de Política Cultural.
Sim, que massa pra você, Rafael. E eu com isso?
Calma, explicarei.
Como alguns de meus amigos sabem, sou uma pessoa extremamente famosa. Porém, até meu pai, às vezes olha na minha cara, fica contemplativo e me chama de “esse menino”. Logo, quando vou a algum lugar onde todos se conhecem, mas não fazem ideia de quem eu sou, instaura-se a situação do avulso.
Antes de eu sair de casa minha mulher até me questionou: “tu num fica avulso nesses lugares, não?”.
Bem, eu nunca me achei avulso em canto nenhum. Não sou o supra-sumo do ser simpático, mas sou um pensador. Contudo, em determinados momentos vivenciei o momento “avulso”.
É um tal de pegar o celular, olhar a lista de contatos sem-mais-nem-porque, conferir as horas duas vezes a cada minuto, olhar pro teto, buscando ar pra respirar, buscar os conhecidos pra trocar sorrisos pelo menos... Situaçãozinha embaraçosa.
Porém, algo devo falar com sinceridade. Eu fui recebido com extrema simpatia do grande Cristhiano Aguiar. Ele é um lorde. Apresentou-me algumas pessoas, todas simpáticas, fiz contatos interessantes, mas algo me perturba – elas se lembrarão de mim no próximo evento?
Ok! Eu admito. Não escrevo sério há tempos, nem como historiador nem como escritor. Mas sou isso, amigos. Nem tão bom, mas sou. Ano que vem eu prometo deixar de ser o famoso-QUEM?.
Tenho dois livros no prelo e outros no quengo. Então, por favor... Hello...Hello...

“Quem é aquele cara, aquele tipo, aquele ali?”

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

CONTRA TODOS E CONTRA NINGUÉM ou ARROGANTE, EU?



Desde eu pobre infante de cabelo-de-banda e nariz escorrendo que me chamam de arrogante, boçal, pernóstico e outros tantos adjetivos que me (des)qualificam.
Pois bem, dar-me-ei a cara à tapa. Sou um tanto quanto difícil, admito. Mas nem de longe sou um tampa, seja tampa-de-Crush ou tampa-de-furico (furico é palavrão? E regionalismo, é?).
Sou individualista pra cacete, perfeccionista ao extremo, odeio trabalhar em equipe, em grupo, em conjunto, em parceria, em turma. Trabalho melhor sem ninguém fungando no meu cangote ou lendo o que escrevo por cima do meu ombro. Mas fazer o que?
Sabemos que nesse competitivo e globalizado mundo quem não se adaptar se extinguirá. Darwin e os darwinistas (inclusive os sociais) entendem bem sobre adaptação e evolução. Só os mais aptos sobrevivem.
Porém, uma indagação caminha perdida entre meus pensamentos noires tão repletos de questões filosóficas – devemos nos condicionar a pensar igual a todos?
É claro que não, Rafael. Você é sempre tão fatalista! Tão pessimista! – exclama você.
Pode até ser que eu seja tudo isso – fatalista, pessimista, arrogante, boçal, pernóstico, e metido: à tampa-de-Crush, tampa-de-furico, à besta, à merda.
Contudo, eu não sou absolutamente ninguém. Exatamente isso que vocês leram. EU NÃO SOU ABSOLUTAMENTE NINGUÉM. Pra falar a verdade eu estou me convencendo que tenho uma inteligência mediana e que sou o típico brasileiro Homer Simpson que o âncora do JN se referiu tempos atrás.
Eu sempre fui fã de pessoas que eram exponenciais e até certo ponto arrogantes. Para exemplificar utilizarei “o” cara do futebol dos últimos 20 anos – Romário. Qualquer pessoa que tinha 12 e 13 anos em 1994 idolatraram (e/ou idolatram) esse cara. Mas convenhamos, vai ser convencido lá no meu time de society. Todos conhecem as polêmicas declarações do “deus” do futebol. Bem, elas não vêm ao caso agora.
Todos cobram resultados. Romário era o cara dos resultados. Rafael... Rafael... é... ... ... Rafael é literalmente uma sequência de reticências. Nunca provou nada pra ninguém, vive reclamando da vida, esta sempre em crise (sobretudo existencial), escreve e não publica, não escreve, só pensa, não pensa, só dorme, não dorme, cria um blog, o usa de analista, ninguém lê, quem lê não comenta...E, Rafael? Rafael continua o mesmo. Mas os seus cabelos... quanta diferença.
O que é que houve, meu amor, você cortou o seu cabelo? Foi a tesoura do desejo, desejo mesmo de mudar”.
Esse é o meu desejo – mudar. Mudar a imagem rotulada e pré-estabelecida deste pobre redator de sinais gráficos. Se um dia serei alguém a vida dirá. Mas só quero no momento aquele vislumbre velho de sorrisos tímidos da mais boba felicidade.


O que eu mais queria era provar pra todo mundo que eu não precisava provar nada pra ninguém

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

DOIS PROBLEMAS ou PRA QUEM AINDA NÃO LEU



'Caro Raul,


Mais uma vez estou sentado em frente ao computador perdido em meus pensamentos noires tão teus. Acontece, caro amigo, que fui acometido de uma profunda amnésia, pior que aquela presente no filme ‘Memento’ dirigido por Cristopher Nolan em 2000. Embora Leonard estivesse desesperado no filme e não soubesse quem eram seus amigos, inimigos e a verdade que o movia, ele sabia o que buscava. Eu nem isso sei.


Sobre o que falava os livros de James Joyce? Como eram mesmo os conflitos psicológicos presentes nos livros de Dostoiévski? E o modo de enxergar o mundo que Machado tinha, como era? Não lembro mais nada de Nietzche. Estou perdido.
Sem dúvida acho que esqueci disso tudo quando me perdi nos ‘Diálogos’ de Platão, ou será que foi depois que li o ‘Manifesto Comunista’ de Marx? Com certeza não. Isso eu já havia esquecido depois dos ‘Paraísos Artificiais’ de Baudelaire.


Sinto-me tão só, meu amigo. Passo horas assistindo filmes de ficção científica – ‘Blade Runner’; ‘Inteligência Artificial’; ‘Eu, Robô’; ‘Controle Absoluto’; ‘2001 – Uma Odisséia no Espaço’; ‘Star Wars’, as duas trilogias e os desenhos das ‘Guerras Clônicas’ também; ‘Matrix’, então, nem se fala, já decorei todos as falas do ‘Mr. Anderson’, perdão… ‘My name is Neo’.


As coisas estão assim, meu guru. Queria poder te dizer mais, mas estão batendo na minha porta agora e preciso atender.


Até breve e abraços.’

– Pois não!
– Estou procurando o Sr. Rafael?
– Da parte de quem?
– Eu tenho um telegrama urgente para ele.
– Entregue a mim. O senhor está falando com ele.
– Assine aqui, por favor.
– Obrigado.
– Obrigado ao senhor.

Prezado Sr. Rafael…”

Com certeza, vem problema. “Prezado num-sei-que-lá” é estresse com certeza.

“… verificamos em nossos registros que o senhor está negativado em mais de quinze instituições por falta de pagamento aos empréstimos junto a bancos, a cartão de crédito, à financeira…”

NEGATIVADO”??? O que é isso? Me baniram do sistema? Não existo mais, é isso? Estou devendo umas contas, eu sei. Mas perdi meu emprego, minha empresa faliu. O que eu posso fazer? É a crise mundial.

Sinceramente eu não aguento mais tanta mediocridade. Essa vida cheia de infortúnios e mundanismos. Se o simples fato de existir nesse competitivo mundo não fosse o bastante, aparece uma novíssima fobia a cada dia. Provavelmente a mais recente é a fobia do desemprego. Admito, sou portador de inúmeras fobias e essa é a minha mais nova aquisição. Durante toda a minha vida acreditei que apenas com os estudos chegava-se a algum lugar e ser-se-ia alguém. Infelizmente eu estava quadrada e redondamente enganado. Não apenas eu, mas todas as pessoas que falam isso cotidianamente. Estudei numa escola daquelas que se importa com o IAV, o Índice de Aprovação no Vestibular, a síntese do massacre estudantil que anualmente glorificam e frustram inúmeros jovens e velhos estudantes que almejam um lugar ao sol, sobretudo numa universidade pública.

Ah, que pena! Quanta ilusão. Quem disse que entrar numa universidade é sinônimo de emprego garantido? Quem disse que estudar numa universidade pública é um enriquecedor curricular? Quem disse que iremos ser realmente quem gostaríamos de ser quando éramos crianças? Quem disse que seremos profissionais realizados? Quem disse tudo isso? Realmente eu não sei. Mas de uma coisa eu tenho certeza… Eu quero matar meu orientador vocacional, ele era uma fraude.

Quer saber?! “Eu também vou reclamar”, ou melhor, vou escutar Raul que é o melhor que eu faço.

Dois problemas se misturam
A verdade do Universo
A prestação que vai vencer
Entro com a garrafa
De bebida enrustida
Porque minha mulher
Não pode ver


Olhos os livros
Na minha estante
Que nada dizem
De importante
Servem só pra quem
Não sabe ler


E as perguntas continuam
Sempre as mesmas
Quem eu sou?
Da onde venho?
E aonde vou dá?


E todo mundo explica tudo
Como a luz acende
Como um avião pode voar
Ao meu lado um dicionário
Cheio de palavras
Que eu sei que nunca vou usar


Mas agora eu também resolvi
Dar uma queixadinha
Porque eu sou um rapaz
Latino-americano
Que também sabe
Se lamentar


E sendo nuvem passageira
Não me leva nem à beira
Disso tudo
Que eu quero chegar
-E fim de papo!”

Sem dúvidas, meu amigo Raul. Só você me entende. É assim que eu me sinto. Embora a sua queixa tenha sido feita há trinta anos e eu nem sonhara em vir ao mundo. Mas… “A coisa tá assim”. Ou filmes ou livros. Embora algumas vezes eu não entenda NADA que está escrito. Tem coisas que se apresentam com tal incongruência inexorável que só um ortodoxo ou um douto na arte de desmistificar a hermenêutica da filosofia metafísica seria capaz de entender a própria cosmogonia universal a luz do racionalismo druida ou oráculo de civilizações desaparecidas antes do armagedon ou qualquer escatologia apocalíptica nos idos tempos onde à etimologia das palavras não tinham tanta importância quanto à explicação do zeitgeist de Johan Herder ou Georg Hegel muito antes da Crise da Razão Histórica e quiçá do Fim da História.

Como diria a minha irmã – “CULTURA INÚTIL!”.

E olhem que eu nem disse nada. Poderia muito bem partir da Teoria dos Sistemas para a Teoria do Caos, passando pelos Simulacros de Jean Baudrillard, enganando o diabo de Goeth antes que os satanistas laveyanistas me convencessem que o dogmatismo deles era mais plausível que o ceticismo e que nenhuma ciência cognitiva me explicaria melhor o mundo como vontade e representação de um pessimista como Schopenhaur ou como um trágico como Nietzche, muito embora Deus estivesse morto, “assim falou Zarathustra”. Se for mentira é dele e não minha. Isso porque me perdi no primeiro paradigma ontológico (não antológico) da realidade semiótica ora exposta, visto que tudo que fora exposto anteriormente serem bem mais amplos que o holismo aristotélico.

UFA! Sabe de uma coisa?! As coisas são bem mais fáceis quando não pensamos em nada. Eu não tenho dinheiro pra nada mesmo. A verdade do universo ninguém sabe também. Então, vou assistir Backyardigans que pelo menos me distrai.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

FERA NENÉM ou ENTRE 2001 E 2010


Quem tem mais de 28 anos (ou se tem menos e possui uma memória assombrosa) com certeza lembra-se da música “Fera Neném” cantada pelo Trem da Alegria e com a participação do músico e ator Evandro Mesquita, no ano de 1986.

Mas antes de falar da música em si e dos reais interesses do meu post, como um bom historiador (quem disse que eu sou um bom historiador?) preciso contextualizar historicamente para vocês.

Primeiramente os anos 80 são mágicos para todos os balzaquianos (ou quase balzaquianos – meu caso) que viveram aqueles últimos dias de ditadura militar e os primeiros anos da democracia brasileira. Tínhamos uma apresentadora infantil loira, com voz de quem esta dando uma bela... Bem, deixa isso pra lá; um palhaço com ar norte-americano que colocava medo nas criancinhas; desenhos animados incríveis – He-Man, Thundercats, Smurfs...; tardes maravilhosas durante a semana com clássicos como “Os Gonnies”, “Caravana da Coragem” e “A Fantástica Fábrica de Chocolate” de Gene Wilder – Willy Wonka; domingos hilários com Os Trapalhões; além de um monte de coisas que me faria dissertar por horas.

Como diria Raulzito, a “charrete que perdeu o condutor”, ou melhor, os anos 80, entraram na moda há alguns anos com o renascimento de alguns ícones da década perdida (fica na tua, Nilson), incluindo o boom das festas trash 80 (que na boa, amigos – são ótimas), que fazem qualquer boite se transformar no Delorien voador do Dr. Brown e te levar de volta ao ano de 1985 (e os outros anos da década de 80, é óbvio). Abrindo um parêntese para encerrar esse preâmbulo, os anos 80 estranhamente terminaram em 1996 com a morte dos Mamonas Assassinas e do Renato Russo. Preciso explicar? Bem, se você viveu o que eu e outros felizardos vivemos não preciso explicar, não é? Se você não viveu, vai pro Google.

Mas voltando ao início...

No tempo da inocência (ou nem tanta) as músicas infantis eram feitas para crianças. Existia o Trem da Alegria, o Balão Mágico, os Abelhudos (lembram deles ou só eu lembro?), a Xuxa, o Fofão (vocês se lembram da história do boneco do Fofão? Bem, essa história é pra outro post), todos com músicas feitas para crianças. Não era Tchan, Calcinha Preta, Saia Rodada, Calypso e outras porcar... digo, músicas que existem por aí.
Pra vocês entenderem claramente o que meus confusos pensamentos noires estão tentando expressar, peço encarecidamente que leiam a letra de Fera Neném.

Fera Nenem
Trem da Alegria
Composição: Vinicius Cantuária E Evandro Mesquita

Evandro - Salve, salve Juninho, como é que é, tudo bem?
Juninho - É... mais ou menos
E - Ué, por que, irmãozinho, que cara é essa?
J - Sabe o que é, Evandro, eu quero é ser presidente do Brasil
E - Ei, diz aí então, me conta


Hoje acordei e ouvi no rádio
Alguém dizia que o mundo ia mal
Que entre dois mil e um e dois mil e dez
Já era a Terra numa guerra final

Eu sou o fera, o fera nenem
Olha só o mundo que a gente tem
Eu sou o fera, o fera nenem
Se eu for presidente, você vai se dar bem

Eu canto, danço, nado, brinco com tudo
E até que não me dou mal no estudo
Quando quero alguma coisa, eu berro
Brinco de médico, ninguém é de ferro

Eu sou o fera, o fera nenem
Qual o futuro que a gente tem?
Eu sou o fera, o fera nenem
Se eu for presidente, você vai se dar bem

Quando sonho, viajo por mil lugares
O mundo é lindo pra quem sabe viver.... só na paz
E corro feliz pra te ver
Vou em frente, não dou bola pra bruxa
Acordo contente quando sonho com a Xuxa
Só quero dizer que eu,

Sou o fera, o fera nenem
Pára na minha que você vai se dar bem
Eu sou o fera, o fera nenem
Se eu for presidente você vai se dar bem


J - Alô, alô, gatas, gatinhas e cachorrões
Eu sou a solução!
"We are the world!"


E - E vem aí Juninho Bill a cores para todo o Brasil
Esse é fera hein, diz aí, Juninho


Eu canto, danço, nado, brinco com tudo
E até que não me dou mal no estudo
Quando quero alguma coisa, eu berro
Brinco de médico, ninguém é de ferro
Eu sou o fera...


Olha aí, vote em mim pra presidente
E alô, alô, senhoras e senhores
Paguem logo a tal da dívida, senão vai sobrar pra gente
É isso aí, mais fantasia no seu destino
Bote fé nesse menino, sou o futuro no presente
Juninho Bill para presidente do Brasil


E - Tô contigo e não abro, Juninho
J - Muito obrigado, muito obrigado!

Bem, amigos, depois de ter participado da campanha de Lula para presidente em 2002 (Como diria o imortal Tim Maia – “Não me iludo mais, Não me iludo mais”) quando eu era um idealista estudante de História da UFPE, assumo agora a campanha de Juninho Bill pra presidente do Brasil em 2010. (Dilma quem? Marina o que?)

Crescemos... e crescemos bem. Acho que não preciso nem explicar, não é? Basta ler a música novamente e lembrem-se que estávamos em 1986.

Quando estava escrevendo este post, vi que um xará meu lembrou dessa história em 2003, mas a campanha é minha.

Voto em Juninho Bill. Esse é Fera.



“Tô contigo e não abro, Juninho”


segunda-feira, 12 de outubro de 2009

DIAS, DIAS, DIAS ou SOMOS O QUE PODEMOS SER




Bem, como falei anteriormente tenho inúmeras coisas pra escrever. Mas não começarei agora a narrar sobre as psicodélicas viagens que tive no último mês, muito menos voltar a minha rotina de escritor marginal. Infelizmente é isso.


Hoje, 12 de outubro, é o dia das crianças, dia de Nossa Senhora Aparecida e também Dia Nacional da Leitura, o segundo da sua história.

Como escritor fico feliz pela criação desse dia, assim como pernambucano estou triste por ter perdido a VII Bienal Internacional do Livro de Pernambuco. Contudo, aproveitarei a possibilidade de misturas para deixar algumas palavras.

Como é sabido da maioria dos leitores do meu blog fui uma “daquelas” crianças, ou seja, “Ohhhhhhhhhhhhhhhh! Que menino inteligente”. Mas não é para fazer promoção da aurora da minha vida que roubarei o tempo de vocês.

Meu intuito é solicitar humildemente que vocês busquem o espírito mais infantil que existir dentro de si próprios para serem felizes. Leiam por felicidade também. Não queiram apenas arrotar cultura. Tipo: “Joyce em Ulysses numseiquê.numseiquê.numseiquêlá... ou... “Quando Dostoievski teve uma crise convulsiva naquela prisão gelada inspirou-se para escrever aquele trecho de ‘Irmãos Karamazov’”. Outra coisa, não julguem as crianças que lêem Harry Potter ou coisas do gênero, muito menos HQ, eu por exemplo aprendi a ler com eles.

A leitura abre a mente e as portas da alma. Sejam crianças um pouco.

Espero que todos tenham tido uma infância tão plena e maravilhosa quanto a minha, haja vista os anos não trazerem mais os sonhos de Casimiro de Abreu, nem os meus.

Como um mancebo nascido no ano de 1981 e dono de uma memória infantil de inveja “elefantástica”, ao invés das minhas linhas finais deixo vocês com uma música que representa o medley o do meu “eu” infantil com o meu “eu” adulto.



Lindo balão azul


(Guilherme Arantes)




Eu vivo sempre no mundo da lua
Porque sou um cientista
O meu papo é futurista é lunático
Eu vivo sempre no mundo da lua
Tenho alma de artista sou um gênio
sonhador e romântico
Eu vivo sempre no mundo da lua
Porque sou um aventureiro
desde o meu primeiro passo
no infinito
Eu vivo sempre no mundo da lua
Porque sou inteligente
se você quer vir com a gente
venha que será um barato
Pega carona nesta cauda de cometa
ver via lactea
estrada tão bonita
Brincar de esconde esconde
numa nebulosa
voltar pra casa
em um lindo balão azul
nosso lindo balão azul
nosso lindo balão azul
nosso lindo balão azul
nosso lindo balão azul



sábado, 10 de outubro de 2009

RETICENTE ou SEM TEMPO



Caros amigos... Como algumas pessoas sabem, estou numa missão secreta.
Mas em breve voltarei para vida... Aguardem histórias... E... Senta, pois lá vem história.


"Parem... Esperem aí... Aonde é que vocês pensam que vão? Han.. Hão"

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

O BLOG E A BUSCA DO CÁLICE SAGRADO ou O BLOGUEIRO E O CALE-SE SAGRADO

Não faço a menor ideia de quantos blogs existem hoje no Brasil, muito menos no mundo. Mas a maioria (pra não dizer todos) é feito por pessoas que se consideram porta-vozes de algo essencialmente importante.

Tem o blog dos punheteiros – aqueles que só tem sex tapes de pessoas famosas, contos eróticos, fotos das mais gatas do orkut e as tão tradicionais playboy e sexy; o blog das donas-de-casa – com receitas culinárias gostosíssimas e dicas capazes de deixar seu guarda-roupa bem arrumadinho com apenas 3 truques; o blog de humor como o Kibeloco; o blog dos nerds (um dos meus preferidos) – com dicas de Hq, jogos do Xbox e playstation, filmes blockbuster, mulheres gostosas, etc.; e mais um enxurrada de blogs de cunho jornalístico e literário - incluindo poesias melosas e contos underground.

O fato é que todos os escritores, independente do que escrevem, querem ser lidos. O problema é que com esse pensamento nenhum de nós faria mais nada da vida a não ser ler blogs. Eu admito que tem blogs interessantíssimos e que alguns desses membros da blogosfera acabam sendo absorvido pelo mercado da indústria cultural e se tornando celebridades pop-cult. Citarei alguns parcos exemplos: os escritores Santiago Nazarian, Marcelino Freire e Michel Melamed; o multimídia Xico Sá; e o nerd Thiago Borbolla, do Judão.

Todos eles foram precursores na área em que se desenvolveram. Excetuando Xico Sá (foi mal companheiro), o restante é composto por pessoas bem jovens e que, sobretudo começaram nesse universo mais jovens ainda. Contudo, sou contra a criação de rótulos que os coloquem no patamar de imortais da Academia Brasileira dos Blogueiros. Como todos sabem, sou contra todo e qualquer tipo de academia (minha flácida barriga não me deixa mentir). Não sou anarquista, mas acho que a criação de normas e regras torna o mundo uma chatice insustentável. Sempre existirá o novo. Como diria Raul: “Não nego que a poesia dos cinquenta é bonita. Mas todo o sentimento dos setenta onde é que fica?

Continuando com a frase do próprio Raul: “Eu vou fazer o que eu gosto. O que eu gosto.

É exatamente isso que faço com meu bloguinho. Acreditar que somos os “Master of the Universe”, ou num bloguês juvenil, os fodões do universo, é estúpido, arrogante, e até certo ponto ingênuo. Baixando o nível um pouquinho (me perdoem de antemão) – você pode achar que seu pau é imenso, mas sempre existirá um Big Mac com um long-dong ainda maior. Ou seja, quando nos comparamos a alguém ou quando achamos que somos alguma coisa, ou nos tornamos presunçosos ou inferiorizados. Certa vez disseram isso para mim. Já me achei demais, mas hoje sei que sou apenas mais um, nada de mais. E lamento de verdade quando acreditamos que seremos os próximos J.R.R Tolkien, Florbela Espanca ou James Joyce. Desculpem amigos, isso é apenas uma ilusão hollywoodiana (Global no caso do Brasil). A busca pelo Santo Graal da fama e da fortuna é uma fantasia distante. E o mais próximo que você conseguirá chegar dos 15 minutos de fama que Andy Warhol disse que você tinha direito é quando de fato você se permitir sair do Big Brother orweliano... e não quando adentrar no Big Brother hollywoodiano.



Até que parece sério. Mas é tudo armação. O problema é muita estrela mas pouca constelação

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

QUEBRANDO PARADIGMAS ou O OPOSTO DO QUE EU DISSE ANTES


Sempre tive certos problemas com a Internet. Não os problemas tecnológicos. Mas os provenientes de pessoas inescrupulosas que usam a Internet para divulgar coisas abomináveis ou até mesmo se aproximar de outras pessoas de formas nocivas, ludibriando-as.


Nunca gostei de expor minha vida nem para os meus amigos, tornando-me cada vez mais reservado. Contudo, aos poucos fui me tornando uma pessoa pública a ponto de ser conhecido por gente que não conheço, bem como virei conhecedor de pessoas que sequer imaginavam minha existência.


Dias atrás troquei uns e-mails com o jovem escritor Ismar Tirelli Neto, tema do meu primeiro post. Ele me falou que há poucos dias tinha refletido sobre como somos importantes para algumas pessoas que não conhecemos e que esporadicamente somos recepcionados por uma correspondência, um e-mail ou até mesmo um tapinha nas costas.


Continuo sem gostar muito de me expor. Contudo, o meu orkut e msn tem cada dia mais novos amigos. Por um lado fico feliz, por imaginar que as pessoas que se aproximam de mim tem um espírito bom e muitas vezes elas são conhecedoras e admiradoras do mesmo universo que eu, ou seja, as artes, a literatura, a História, a Filosofia, entre outras coisas que chapam meus pensamentos.


Dia 23 de agosto o meu blog repleto de pensamentos soltos completou um ano. Embora a minha mente noir estivesse em total ebulição não pude postar nada que representasse a referida data. Prefiro imaginar que apenas pulei o inferno astral do meu (tão nosso) blog. No momento vivencio o meu inferno astral, mas este acabará na belíssima sexta-feira.


Bem, amigos, fico feliz com o interesse de vocês pelos pensamentos soltos de uma mente noir.


Agradeço de coração a todos que dividiram comigo este último ano.




"Você, meu amigo de fé, meu irmão camarada".

sábado, 22 de agosto de 2009

ROUBANDO POSTS ou A ARTE DE (NÃO) ESCREVER




Bem, depois de uma semana de belíssimos (e outros nem tanto) debates literários/culturais no 7° Festival Recifense de Literatura, uma pergunta vem a mente desse leitor ignorante e escritor sem talento... "Escrever para quê?"

Ora...

É...

Ok!

Vou roubar um post do blog da Crispin (http://revistacrispim.com/blog/blog.php) para responder isso.


Escrever para quê?
21.04.2009


O número 100 da revista Continente publica, na sua última página, uma crônica do jornalista Ricardo Noblat sobre o tema: "escrever para quê?".


No texto, Noblat cita o escritor inglês George Orwell (1903-1950). Segundo Orwell, escrevemos por quatro motivos. Eles são:


1) Completo egoísmo. Desejo de parecer esperto, de ser comentado, de ser lembrado depois da morte.


2) Entusiasmo estético. A percepção da beleza no mundo exterior, ou, por outro lado, nas palavras e no seu arranjo correto. O desejo de compartir uma experiência que se sente que é valiosa e não deveria ser perdida.


3) Impulso histórico. O desejo de ver as coisas como elas são, de descobrir os fatos verdadeiros e de guardá-los para a posteridade.


4) Propósito político. O desejo de levar uma palavra em uma certa direção, de alterar a ideia de outras pessoas sobre o tipo de sociedade à qual elas devem aspirar.


E aí, ta respondido? Pra mim ta perfeito. Posso complementar e dizer... É vontade mesmo e pronto.



"Vocês precisam acreditar em mim... Eu conheço a História do princípio ao fim."

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

INOMINÁVEL ou SAUDADES DO QUE NÃO FOI


Vinte anos atrás o mundo amanheceu mais burro, mais conformado, mais mudo, mais estúpido, mais idiota... Dia 21 de agosto de 1989 foi o dia em que a terra parou para o maior mago brasileiro. O mago das letras, das músicas e dos pensamentos.
Não preciso falar muito sobre “O Cantor”, pois todos sabem que estou a falar do meu guru, Raul Seixas.
É, infelizmente um garoto de 8 anos incompletos estava bastante triste naquele dia, sobretudo porque alguns estúpidos diziam que ele não podia cantar suas músicas, pois elas eram adoração do diabo. Fodam-se elas e o próprio diabo.
Acredito que os jornais pagam-pau-da-vida estejam estampando algum caderno especial sobre Raulzito hoje. Contudo, como apenas o homem Raul morreu, deixo que ele mesmo fale dele, ou melhor, “eu não preciso ler jornais, mentir sozinho eu sou capaz”, pois “os homens passam e as músicas ficam”. “Vida alguma coisa acontece. Morte alguma coisa pode acontecer”.

Dentre as centenas de músicas de Raul ficaria bastante inviável eu traçar uma lista de 20 músicas inesquecíveis dele. Como minha mulher mesmo diz: “Tem alguma música dele que você ache ruim?” Hummm!!! É... Eu sou suspeito pra falar, mas... Te devo muitas, Raul. Mais que você possa imaginar. Se eu tivesse o poder de invocar um pensador pra trocar uma idéia com certeza Raul seria O cara. Sim, mas... Vamos a lista. Prefiro não explicar o porque da seleção, mas tem relação com o mundo atual, o Rafael atual e o Raul imortal.

Pode ser que amanhã mesmo eu discorde da minha lista, afinal de contas “eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”, mesmo assim, “danem-se quem não gostar”.

01. Metamorfose Ambulante
02. Maluco Beleza
03. Tente Outra Vez
04. Gita
05. Ouro De Tolo
06. Eu Também Vou Reclamar
07. Sociedade Alternativa
08. Loteria Da Babilônia
09. Não Fosse O Cabral
10. Tu És O M.D.C. Da Minha Vida
11. Ave Maria Da Rua
12. Areia Da Ampulheta
13. Super-Heróis
14. O Segredo Do Universo
15. Caminhos II
16. Metrô Linha 743
17. Eu Sou Egoísta
18. Quando Acabar O Maluco Sou Eu
19. Faça, Fuce, Force
20. Paranóia II

Boa viagem, meninos. Boa viagem.”

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

PRA NÃO DIZER QUE ESTOU SEM POSTAR ou ENCONTRANDO LINK

Bem, estou há mais de um mês sem postar nada. Estou meio ocupado. Então leiam o que está nesse link que é meu também.

http://www.bienalpernambuco.com/dois-problemas

Valeu, amigos.


"Amanhã... vai ser outro dia"

domingo, 5 de julho de 2009

MUITO MAIS QUE AMIGOS ou APRENDENDO

Para Pretinha e todos os meus amigos que sentiram as dores que senti (Flávio, Batista, Adriana e Raquel).


Como as fotos de Pepê ficaram no outro PC. Não colocarei uma dela.

Relutei muito antes de escrever sobre isso. Achei que ontem era o momento certo. Depois de assistir "Marley e eu". Não é fácil. Mas o cara durão já chorou bastante ontem. Logo, acho que hoje tenho estrutura para escrever.
Perdi o ser que foi minha melhor amiga durante muitos anos no dia 16 de fevereiro deste ano. Depois de 11 anos ela foi embora. Infelizmente eu não estava lá para me despedir. Acenei meu último tchau e enviei meu último beijo dois dias antes dela partir. Não imaginava que não a veria mais depois daquilo. Mas a vida não é fácil.
Lembro da primeira vez que a vi. Ela era pequenininha e bem magrinha, andava quase se arrastando de tão fraquinha. Tinha uma criança da rua (um vizinho) que chegou inclusive a andar com ela numa gaiola de passarinhos. Logo ela passou a frequentar a frente da minha casa, lhe oferecemos comida e ela sem pedir licença foi se apossando das nossas vidas.
Não lembro claramente o dia e o mês. Mas lembro da primeira refeição dela dada por nós. Era resto de comida mesmo, mas depois do whyskas tudo mudou. Ela ficou totalmente viciada.
Permitam-me apresentá-la formalmente. Ela era uma gata. Uma gata preta. Seu nome era Preta Maria Monteiro Pessoa. Também conhecida como Pretinha, e, como meu pai dizia, vulgo, Pepê. A minha nêga era diferente de todos os outros gatos. Ela era muda, porém, não surda. Ela não miava, era cangula, ou seja, tinha os dentes grandes e sua língua ficava pra fora como se ela fosse um cachorro, babava muito também. Na realidade Preta tinha alguns complexos. Ela acreditava que era um cachorro. Acho que foi pelo fato de dizermos várias vezes enquanto brigávamos com ela: “saia daí sua cachorra safada” ou “Preta, tu és uma cachorra mesmo”. Ela então incorporou e vestiu a carapuça. O fato é que Pretinha era especial e diferente de todos os outros gatos do mundo. Quem a conheceu sabe que não estou mentindo.
Quando Preta chegou lá em casa eu tinha 16 anos e estava estudando sobre bruxaria e ciências ocultas. Preta era minha melhor colega de classe. Todo bruxo que se preze tem seu gato preto e eu tinha o meu, no caso, a minha. Foi ao lado dela que vivi algumas das experiências mais extraordinárias do mundo. Vi muita coisa, mas isso é outra história. Também foi ao lado de Pepê que aprendi a tocar violão. Lembro que fiz uma versão de “no woman, no cry” do Bob Marley para Preta. Era mais ou menos assim.
Ainda me lembro / quando chegasse aqui / era só o coro e o osso / comia tudo / pedra e caco de pau / hoje hoje tu só quer filé / hoje hoje tu só quer filé / hoje hoje tu só quer filé / hoje hoje tu só quer filé / Não, não arranhe mais / Não, não arranhe mais / Não Pretinha, não arranhe não
Bem, escrevendo fica difícil de visualizar as coisas. Esse momento fica como sendo só meu e dela. Ela deve lembrar. Como diria minha irmã, ela tá no céu dos gatinhos agora, haja vista a missão dela já ter se cumprido aqui na Terra. Ela fez um garoto muito feliz durante muito tempo. Inclusive quando ele tinha apenas ela de amiga de verdade.

Talvez eu não tenha sido um bom amigo (Nunca utilizarei a palavra dono. Existe amor entre o homem e seu bichinho e não posse). Afinal de contas ainda estou aprendendo a amar. E na aprendizagem do amor Preta também foi minha companheira. Passei incontáveis horas no telefone conversando com Glena (hoje minha mulher) e alisando Pretinha, confidenciando a ela meus desejos e temores e perguntando: “E aí Preta, o que é que tu acha?”. Mas ela na maioria das vezes preferia ficar deitada e balançando seu rabo a esboçar qualquer opinião.
Preta teve duas crias. Na primeira vez vieram dois gatinhos e na segunda vez vieram três. Pretinha sofreu muito no parto. Foi a primeira vez que a ouvimos miar, logo, Pretinha não era muda, só preferia o silêncio. Ela tinha sofisticação, abria a boca e já entendíamos o que ela queria. Demos injeção nela pra que ela não tivesse mais filhotes, mas infelizmente ela desenvolveu um tumor e teve que passar por uma cirurgia. Foi horrível, um duro tratamento, mas ela ficou ótima. E depois disso não teve mais filhotes. Ela sofreu com uma pneumonia também. Mas também venceu essa batalha, graças principalmente a minha mãe.
Pretinha era fã de miolo de pão. Sempre pedia a gente quando nos via comendo. Ela colocava a sua patinha em nossas pernas e nos pedia. Já sabíamos o que ela queria. Mas o whyskas ainda era sua comida preferida, seja a ração normal ou a lata. Nos últimos 4 anos ela passou a não comer a ração sólida, havia perdido alguns dentes e não mastigava direito, além do mais seus dentes não se encaixavam perfeitamente. Passamos a misturar whyskas em lata com carne moída e no último ano ela ficou só com a carne moída.
Preta sempre teve muita energia, corria pela casa toda e adorava ficar nos lugares mais impróprios como na cama dos meus pais, em cima do guarda-roupa, da televisão, do som, do computador, do carro (às vezes embaixo do carro, para nos dar mais trabalho). Algumas vezes ela sumia. Já passei muitas horas sofrendo por causa dela, mas, felizmente ela sempre aparecia. Preta contrariou muita gente e como uma gatinha-amiga se mudou conosco três vezes, inclusive para minha casa quando eu me casei. Preta teve alguns problemas com Glena. Mas sei que se amavam. Contudo, Pretinha não era tão feliz na minha casa e num determinado momento voltou a morar com meus pais, onde ficou para sempre. Meu pai foi o melhor pai do mundo para Pepê, muito melhor do que eu podia ter sido. E foi justamente ele quem a encontrou sem vida na manhã do dia 16 de fevereiro deste ano. Ela não respondeu ao seu chamado e nem acordou para tomar seu café. Sei que não deve ter sido fácil para ele. Ninguém estava com coragem de me contar sobre o que havia acontecido. Na noite daquela segunda-feira eu soube de tudo. Meu chão sumiu. Fazia apenas cinco dias que eu tinha enterrado o meu herói, meu mentor, o meu vozão. Eu já estava sofrendo muito por isso. Mas infelizmente tive outra queda. É claro que perder um animal de estimação não é a mesma coisa que perder um avô, mas acontece que eu perdi os dois em menos de sete dias.
Bem... É a vida. Existindo um Deus ou não, toda vida um dia se vai. Porém, o amor é algo que é eterno. Sobretudo o amor de uma pessoa e seu melhor amigo(a), seja ele quem for.
Nunca te esquecerei Pepê. Sei que não fui perfeito pra você, mas você foi perfeita pra mim.
Te amarei sempre. Sinto muito a sua falta. Te amo. Esteja você onde estiver, te amo.
Obrigado por você ter entrado na minha vida.



Um dia amiga, a gente vai se encontrar

quinta-feira, 25 de junho de 2009

ADEUS PEQUENO MIKE ou ENTRANDO EM NEVERLAND




Fazia tempo que eu não possuía um motivo de verdade para escrever. Parece até que eu estava esperando uma grande notícia para comentar, pois no meu caso não vale à pena discorrer sobre assuntos burocráticos, haja vista eu ter me transformado gradativamente numa pessoa apolítica pela descrença com a bem-falada função pública.
Infelizmente volto a escrever após outra grande decepção. Desde a saída do Sport da Libertadores da América nenhuma linha saía das teclas empoeiradas do meu teclado. Vale salientar que exatamente hoje estou completando um mês de operado (cirurgia na mão direita e blá blá blá blá) e não estava disposto a me desgastar por pouca coisa. Mas hoje o dia é especial. Perdemos Michael Jackson.
Todos podem taxar o Michael de gay, racista, pedófilo, louco e do caralho que for, mas o Michael é o Michael. Sempre caí matando no Ariano Suassuna por ele chamar o Michael de “lixo cultural”. Eu compreendo as visões do meu mentor senil. Contudo, discordo veementemente da opinião dele.
Possivelmente o mais talentoso filho da família Jackson não seja imortalizado como um Mozart, Bethoven ou Vivaldi. Porém, na mente de quem nasceu entre as décadas de 70 e 90 do século XX Michael Jackson será imortal.
Sou, como muitos, um saudosista ao extremo e amante da década de 80 mesmo ela sendo a década mais brega e trash da história mundial recente. A cultura pop que emana desde Andy Warhol chega num supra-sumo na década perdida. Quem já freqüentou uma dessas festas “trash 80” sabe do que estou falando. Relembra-se de tudo, desde seriados e filmes a comerciais, e, sobretudo, as músicas, a sinfonia que dá tom e embala a festa. Algumas músicas são obrigatórias, mas nenhuma é tão obrigatória quanto Thriller, bem como nenhum vídeo-clipe é tão clipe quanto Thriller. E quem nunca jogou Moowalker no Master ou no Mega? E os passinhos de dança tão Michael Jackson. Eu não iria ficar aqui dando uma de acadêmico preconceituoso e negar que eu cresci nos anos 80 e que toda aquela cultura ajudou na formação do homem que sou hoje. Lamento os que arrogantemente tentam camuflar seu passado e sua história.
Além de Thriller, Bad, Billie Jean, Black or White, Michael será imortal por toda a sua obra. Todo mundo tem vida agitada, e comete deslizes. Somos humanos. Algo que Michael nunca pôde ser. Desde criança teve que ser o melhor. Não podia errar, não podia ser negro, não podia ser homossexual, não podia ser nada. Michael foi tudo, e seu corpo e sua mente não acompanharam o seu espírito. Espero que agora ele consiga encontrar a paz. Embora, assim como seu sogro, o Rei do Rock Elvis Presley, o Rei do Pop também não morreu e nem nunca morrerá, pois quem é rei nunca perde a majestade.
MICHAEL NÃO MORREU!!!


"Have you seen my Childhood? I'm searching for the world that I Come from 'Cause I've been looking around In the lost and found of my heart... No one understands me They view it as such strange eccentricities... 'Cause I keep kidding around Like a child, but pardon me... People say I'm not okay 'Cause I love such elementary things... It's been my fate to compensate, for the Childhood I've never known... Have you seen my Childhood? I'm searching for that wonder in my youth Like pirates and adventurous dreams, Of conquest and kings on the throne... Before you judge me, try hard to love me, Look within your heart then ask, Have you seen my Childhood? People say I'm strange that way 'Cause I love such elementary things, It's been my fate to compensate, for the Childhood I've never known... Have you seen my Childhood? I'm searching for that wonder in my youth Like fantastical stories to share The dreams I would dare, watch me fly... Before you judge me, try hard to love me. The painful youth I've had Have you seen my Childhood"




terça-feira, 12 de maio de 2009

GRITOS PRESOS ou O QUE É UM TÍTULO?

Post dedicado ao aniversariante do dia 13 de maio, o rubro-negro Rodrigo Carrapatoso, que teve a sorte e o privilégio de vir ao mundo no mesmo dia do aniversário do SPORT CLUB DO RECIFE.




Foi lamentável.


Infelizmente jogo não é justo.


Não existe Deus no esporte.


No futebol nem sempre o melhor ganha.


Isso é verdade. Se o melhor ganhasse eu estaria comemorando uma bela vitória. Mas...

Tenho um orgulho enorme em dizer que nasci em Recife, Pernambuco. Sou torcedor do Sport Club do Recife. O melhor e maior time de futebol da história de todo o norte e nordeste do Brasil, o dito país do futebol. Muito embora para mim, como um nordestino, o Brasil em si não me representa, haja vista ele ser feito por e para sulistas (leia-se, sobretudo paulistas e cariocas).
Sei que terei que ficar mais uma vez com um entalo na garganta. Novamente graças ao Palmeiras. Depois daquele 2X1 na extinta Copa dos Campeões em plena Maceió-AL (nordeste) no ano 2000. Perder para um Palmeiras que tinha como seu maior ídolo o jogador Basílio foi tão frustrante quanto ouvir os fogos de artifício e os gritos de torcedores do Santa Cruz e do Náutico com o término dos pênaltis do jogo de hoje.
É ululante que nenhum torcedor adversário precise torcer pela felicidade de um time algoz. Mas, infelizmente, pior que receber gozações de amigos é ser humilhado em rede nacional, tendo que ouvir despautérios que minimizem a qualidade de um time espetacular. Se quiserem enaltecer o trabalho do goleiro Marcos eu respeito. Foi o Sport contra Marcos e sua sorte. Bom para ele. Santo forte o do goleiro do pentacampeonato mundial.
Perdemos nos pênaltis, é verdade. Perdemos 2 jogos para o Palmeiras, empatamos outro e vencemos o último. Infelizmente não foi suficiente.
Ganhamos o título de honra da Copa Libertadores da América de 2009. Fomos os melhores dentro de um grupo batizado como o “Grupo da Morte”. Éramos o único time que não sabia o que era ser campeão da Libertadores. Ainda não sabemos. Mas todos os torcedores do Colo-colo e da atual campeã LDU sabem a força que tem o Leão do Norte. Ganhamos todos os jogos contra as equipes estrangeiras. Transformamos o Grupo da Morte no Grupo do Sport.
Não tenho mais uma estrela em meu peito. Tenho várias. Por isso agradeço ao Magrão, ao Dutra, ao Durval, ao Igor, ao César, ao Sandro Goiano, ao Hamilton, ao Andrade, ao Moacir, ao Daniel Paulista, ao Luciano Henrique, ao Paulo Baier, ao Fumagali, ao Ciro, ao Wilson, ao Vandinho e a todos os outros atletas do elenco do Sport que ajudaram a nos dar enormes alegrias. Agradeço especialmente ao professor Nelsinho Batista que foi um grande treinador para o meu clube e, sem nenhum lamento ou demagogia hipócrita eu digo: Valeu, mestre.
Não estamos nas quartas-de-finais, fomos derrotados, mas perdemos pela falta de sorte. Pior é ir para as quartas-de-final graças a um W.O. estúpido e preconceituoso. Isso é o Brasil, isso é a América, isso é o mundo.
Entre risos e lágrimas eu digo que foi ótimo está lá. Foi um lar. Um lar de jogadores e torcedores vitoriosos. Não existem grandes guerreiros no Sport, pois guerras não fazem grande ninguém. Existem grandes homens no Sport e como homens são falhos. Mas suas falhas não apagam seus feitos. Obrigado Luciano Henrique, Fumagalli e Dutra. Se não fossem por vocês não saberíamos nem o que era uma oitava-de-final de Libertadores. Temos mais motivos pra nos orgulhar de tê-los em nosso time que para culpá-los de qualquer coisa.
Emoção é emoção. Eu tenho a minha. Estou sofrendo muito pela desclassificação, mas estou muito feliz por saber de verdade o que é lutar contra tudo e todos e dizer: SOU CAMPEÃO.

Parabéns por mais um aniversário Sport. É aquele coisa de inferno astral que atrapalha.
Obrigado Sport. Por ter feito milhões de pessoas se sentirem campeãs.


SPORT – CAMPEÃO MORAL DA COPA LIBERTADORES DA AMÉRICA DE 2009.



"Pra mim o meu Sport é religião... Sport, Sport uma razão para viver"

quarta-feira, 6 de maio de 2009

A UM MESTRE ou MUITO ALÉM DO SILÊNCIO


Muitas vezes me questiono sobre o meu verdadeiro “eu”, mas no momento não quero falar nada ontológico, metafísico, nem divagar sobre a crise existencial.
Devido a atitudes que não valem à pena comentar, farei uma cirurgia em minha mão direita, logo, estou escrevendo “maneta” e de teimoso. Contudo, não faço idéia de como seria a minha vida sem papel e caneta (Bem, sei que tem várias formas de escrever e tal, mas... vocês me entenderam).
Freqüentemente (Sai daí trema, você não existe mais) encontro velhos conhecidos nesse imenso mundo de 10 acres e logo a mágica pergunta vem à boca:
- E aí? O que estás fazendo?


Putz grila! Sai dessa agora, Rafael!


Bem, dependendo de como vão me interpretar e do meu humor no momento, me acharão mais um loser do universo... Como no meu já falado ditado iídiche favorito: “O homem é o que é; não o que foi”.

Então... Já fui inúmeras coisas. Fui pesquisador do CNPq durante grande parte da minha graduação do curso de História na UFPE; banquei o arqueólogo participando de algumas escavações (velhos tempos; dias não tão belos); dediquei dois anos de minha vida no Tribunal de Justiça de Pernambuco; fui professor de História, Filosofia e Sociologia em diferentes instituições, entre elas o Colégio de Aplicação; fui consultor de História numa empresa de softwares educacionais de médio porte; fiz uma penca de cursos e palestras e por aí vai.
Entretanto, algo dominou minhas emoções – A VAIDADE.
Eu era apenas um nerd (não careta) de amigos inteligentes, cultos, buscando alguma coisa. Trabalhava e estudava razoavelmente, mas dinheiro passava bem longe. Sabemos que educação no Brasil é... Deixa pra lá.
Em conversa com um amigo resolvi ser empreendedor. O sucesso e o dinheiro vieram... e a derrocada e o fracasso vieram mais rápido ainda. Perdi ABSOLUTAMENTE tudo, inclusive o que não tinha. A vaidade e a imaturidade me destruíram.


Agora assumo, aos trancos e barrancos, que sou um escritorzinho barato (Interpretem como quiserem. Como diria um personagem meu: Apenas 50% do que vocês leem é o que realmente penso. Os outros 50% é a sua interpretação).
Neste mês de maio três escritos meus estão saindo em livro (livros diferentes, só pra constar). Uma crônica, um conto e uma poesia. Ou seja, não sou tão ruim. Contudo, espero ter aprendido o que a vaidade já me proporcionou e mesmo que um dia eu consiga alguma coisa e ser alguém na vida, eu não deixe nada me subir à cabeça.
Embora eu tenha consciência que odeio sintetizar as coisas e que meus textos parecem discursos castristas [Sou historiador, fazer o que? (Já existe essa profissão?)], todas as palavras são necessárias. (Por favor, Nilson, não reclama.)

Li, não lembro onde (É pedir demais. Minha memória é boa, mas tem limites), que o homem desenvolve grande parte de sua personalidade até os sete anos de idade. Tenho uma personalidade forte e devo muito à herança genética familiar. Contudo, queria dizer a um homem (ou a uma família) que admiro de longe, que aprendi muito com ele quando estávamos pertos. Um ex-vizinho de dez anos de rua. Uma grande pessoa.

Lembro de seu sotaque, de sua barba, de seu cigarro, de seus amigos, de sua visão política, de sua religião, de sua cerveja, de seu baralho. Enfim, tem coisas que nunca esquecemos. Tempos atrás esbarrei nesse homem próximo ao Banco Real de Bairro Novo, em Olinda, olhei em seus olhos azuis (se minha recordação não estiver me traindo), ele me devolveu o olhar e continuou caminhando. Sinceramente fiquei surpreso ao vê-lo. Ele estava mais velho, sem sua barba, parecido e diferente ao mesmo tempo. Surpreendi-me inclusive com sua altura. Para um garoto de cinco anos qualquer adulto é enorme. Mas para um adulto de 1,84m... nem tanto. Porém, ele continua sendo enorme para mim. O vi na TV algumas vezes (Como diria a minha mulher – todo mundo que eu conheço é famoso) e sempre fico feliz ao vê-lo. Ele é um grande jornalista e bem mais que isso. Pai de quatro filhos tem no primogênito um colega de profissão, um jornalista bem conhecido na área. (Sobre o filho) O jornalista Tiago Medeiros (seu colega de trabalho) uma vez o descreveu como um baixinho semi-careca arretado com o mundo. Hoje é professor de uma faculdade no Recife e produtor na maior emissora de TV do nordeste. Tira ótimas fotos também.
Tanto o pai quanto o filho talvez não se recordem claramente de mim. Não tem importância. Jamais os exclui de minha memória. O nacionalmente famoso Ivan Lessa diz que “a cada quinze anos esquecemos os últimos quinze”, eu (perto dos 30) faço questão de sempre recordar dos meus quinze iniciais.


Em Pernambuco existe um idealista que busca preservar a sua memória. A vital memória para a construção da história e de sua identidade. Basta você entrar no http://pe-az.com.br/ que saberá do que estou falando.


Não sou muita coisa, mas sei que devo parte de quem sou a família “Veras” – Lumi (Só para constar tem a mesma profissão que minha irmã), Rita, Lia, Joana (Olá linda colega!), o inexorável Chico Feitosa (Nome de um gênio da música brasileira) e o GRANDE... MARCOS CIRANO.

Não sou jornalista, não sou historiador ativo, sou apenas um escritorzinho barato. Mas já sei o que quero ser quando eu crescer. Quero ser MARCOS CIRANO.


Abraços fraternos e beijos a todos.


Sou eu que vou seguir você do primeiro rabisco até o beabá

sábado, 2 de maio de 2009

DE NOVO ou FUCK ME AGAIN

Caros amigos (Ha, ha... Desta vez fugi do "Bem, amigos"), infelizmente estou com minha mão direita quebrada novamente. Logo, meus post estarão cada vez mais limitados.
Como historiador sei da fundamental importância dos arquivos. Como fuçador da vida alheia (no bom sentido) sei da utilidade do lixo doméstico para o conhecimento "ário" da humanidade. Para isso, dou de presente meu lixo. Um post de agosto do passado ano http://pensamentossoltosdeumamentenoir.blogspot.com/2008/08/primeiro-artigo-cientco-ou-sndrome-do.html
Por enquanto é só. Ao lerem o post entenderão como quebrei a mão. Farei um cirurgia em breve. Torçam pela minha melhora.
Obrigado!
"Mas meu amigo volte logo..."

terça-feira, 28 de abril de 2009

ROUBANDO IDÉIAS ou O MAL DA AMNÉSIA

Até que eu gostaria de não estar, mas estou... Imaginem uma preguiça cansada com a cabeça lesa sem conseguir pensar em absolutamente em nada... SOU EU.

Ideias em excesso são prejudiciais à saúde.

É deveras complicado. Mas é verdade.

Bem, amigos (Putz! Ando pior que o Galvão.)... Não habito mais o burgo duartino, logo, algumas vezes sinto saudade de algumas coisas em Olinda. Porém, das coisas que sinto falta a praia é a mais estranha. Sinto falta dela ao mesmo tempo que me sinto alforriado de certas imagens macabras.

Como estamos vivendo o período de mais um CINE-PE faço questão de lembrar de um curta exibido em 2005 (Perdoem-me se estou enganado com a data) chamado "Mais um Domingo" do visionário diretor Daniel Barros. O filme fala por si só, muito embora, porém e todavia caberia uma tese de doutorado antropológico entre outros universos acadêmicos. Como estou com a mente em frangalhos me abstirei de fazer comentários sobre o filme ou de qualquer outro assunto no momento.

O filme é ótimo. Assisti inúmeras vezes (Realmente gostei e sempre vejo quando mostro para alguém) e divido com vocês. Peço licença ao Daniel Barros e seu pessoal para colocar seu filme em meu post.

As conclusões sobre o filme são de vocês. Quando minha cabeça estiver melhor eu volto.

Como não pude fazer isso até o presente momento fa-lo-ei agora: PARABÉNS DANIEL!

"Agora... Nós vamo invadir sua praia"

domingo, 19 de abril de 2009

A LUZ DA SABEDORIA IGNORANTE ou O MAIOR POST DA HISTÓRIA

Para Nilson: Porque ele odeia post grande. Perdemos o amigo, mas a piada está salva.
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A melhor coisa de ser um escritor barato, um escritor marginal, é o fato de se poder falar exatamente aquilo que se pensa sem necessariamente estar focado em um tema específico ou até mesmo a uma linha de raciocínio metódico e muitas vezes bitolador. Tenho formação acadêmica como pesquisador (E... Pasmem! Não é que alguns dizem que sou bom nisso?!), mas na maioria das vezes (Pra não dizer sempre) sou a-acadêmico.
Abracei a idéia de escrever no blog (Sob um título – enorme por sinal – que expressa exatamente seu objetivo – Pensamentos Soltos De Uma Mente Noir) meio que sem querer para aliviar minha cabeça e suas dores. Outra inquietação era as perdidas noites de insônia. Acredito que não mereço passar muitas horas em claro tentando entender as loucuras de James Joyce (embora ele seja O cara da literatura moderno-contemporânea do século XX) expressas em Ulisses.
A mente humana é uma das coisas mais extraordinárias e mais loucas do universo. Criamos tudo que acreditamos existir, inclusive monstros, alienígenas e Deus.
Por favor, não joguem pedra nem bosta na pobre da Geni, ou melhor, em mim. Não estou aqui para ser “o poeta de um mundo caduco. Também não cantarei o mundo futuro” tal qual o Drummont não cantou. Não vim aqui para esclarecer nada, vim para ser Abelardo e transformar o mundo na chacrinha tal qual meu conterrâneo fustigava. Meu negócio é confundir. Quero entender a pergunta muito mais que saber a resposta. Como diria o autor de “Eneida” – “fartamo-nos de tudo, menos de compreender”.
Quando adolescente eu me achava simplesmente fantástico. A modéstia era algo que passava a anos-luz de mim. A modéstia era para os medíocres.
Imaginem um garoto idiota – eu era infinitamente pior. E eu nem era o melhor aluno da turma, estava bem distante do meu amigo Humberto. Meu problema pode ter sido uma porcaria de um teste de QI que fiz aos 12 anos de idade – 134 era um número bem expressivo para um adolescente com uma mente totalmente virgem.
Tenho consciência que apresento meus lampejos de genialidade (Calma, amor! Eu juro que não estou me achando). Considero-me um gênio, sobretudo pelo fato de encontrar problemas. Hans Krailsheimer, um aforista alemão, falava que os “talentos encontram soluções. Gênios encontram problemas”. Já o maior filósofo chinês da antiguidade, Confúcio, dizia-nos: “Não procuro saber as respostas, procuro compreender as perguntas”. É exatamente nisso que me empenho – compreender as perguntas. Perguntar, fazer a mente trabalhar pra que ela não se transforme numa massa podre e infértil também é um objetivo presente na minha doentia cabeça. Lançando mão do ato de apoderar-se das idéias dos outros cito o cartunista e escritor americano James Thurber e expresso que “melhor é perguntar algumas questões do que saber todas as respostas”, haja vista a total ignorância daquele que se julga um sábio, pois “sábio é quem recolhe a sabedoria dos demais”. Ótima essa, não?! Pois é, infelizmente também não é minha. É do escritor espanhol Juan Guerra Cáceres.
Antes de qualquer coisa sou um leitor. Leio tudo que tem letras. Embora algumas vezes eu não entenda nada que está escrito. Tem coisas que se apresentam com tal incongruência inexorável que só um ortodoxo ou um douto na arte de desmistificar a hermenêutica da filosofia metafísica seria capaz de entender a própria cosmogonia universal a luz do racionalismo druida ou oráculo de civilizações desaparecidas antes do armagedon ou qualquer escatologia apocalíptica nos idos tempos onde à etimologia das palavras não tinham tanta importância quanto à explicação do zeitgeist de Johan Herder ou Georg Hegel muito antes da Crise da Razão Histórica e quiçá do Fim da História.
Ufa!!! Imaginem o Ariano Suassuna cantando um funk desses. Rutheford e Bohr é fácil. Queria ver é ele dizer algo assim. E olhem que eu nem disse nada. Poderia muito bem partir da Teoria dos Sistemas para a Teoria do Caos, passando pelos Simulacros de Jean Baudrillard, enganando o diabo de Goeth antes que os satanistas laveyanistas me convencessem que o dogmatismo deles era mais plausível que o ceticismo e que nenhuma ciência cognitiva me explicaria melhor o mundo como vontade e representação de um pessimista como Schopenhaur ou como um trágico como Nietzche, muito embora Deus estivesse morto, “assim falou Zarathustra”. Se for mentira é dele e não minha. Isso porque me perdi no primeiro paradigma ontológico (não antológico) da realidade semiótica ora exposta, visto que tudo que fora exposto anteriormente serem bem mais amplos que o holismo aristotélico.
Hãn???? Perdoem-me pelos meus risos, amigos. Será que um ‘boçal’ como eu riria com uma “Pegadinha do Mução”? É claro que sim. Primeiro porque não sou boçal (É sério). Sou um total ignorante. Eu não sei absolutamente de nada (Às vezes é que dou uma dentro). “Só sei que nada sei” – me diria Sócrates. Ele estaria coberto de razão. Não a razão criticada por Immanuel Kant. Mas a razão que admite que quanto mais sabemos mais sabemos que não sabemos de nada. Admirável mundo novo, caro Aldous Huxley. Passamos de 1984 e não aprendemos nada com George Orwell e suas visões nostradámicas. É lamentável que continuem a existir donos da verdade. O que vem a ser a ‘verdade’? Será que é aquilo que aprendemos desde nossos berços maternos ou algo que vá bem mais além que a vã filosofia shakespeareana?
Há pouco tempo tive conhecimento de uma falha na mente humana que a deixava paralisada com as ditas verdades – crenças e idéias – impostas às mentes infantis, muitas vezes contrárias à realidade (Afinal de contas o que é a realidade? Bem, deixa a metafísica um pouco de lado e voltemos).
A referida paralisação da mente é conhecida pela palavra neologista logosófica (Logosofia, embora eu não seja um expert no assunto, é uma espécie de filosofia de vida que busca um mundo mais harmônico e livre da ‘dominação’ de uma realidade deturpada. Aqui na América Latina o educador argentino Carlos Bernardo González Pecotche é o maior nome. Etimologicamente a logosofia seria o estudo do saber. Para dá uma de Aurélio. Logos do grego = Estudo /Sophia do grego = Sabedoria) de PSIQUIÁLISE. Quando se imputa a uma criança, ou seja, uma mente vulnerável, o certo e o errado, ela está sujeita a todo tipo de embustes e mentiras. Algumas mentiras ditas de formas tão convincentes e metódicas que as tornam inquestionáveis pelo resto das suas vidas. Contudo, a mente humana é inquieta, ela busca pela verdade, pela sabedoria, ela deseja saber sobre a existência humana, sobre Deus, sobre o sentido da vida. Porém, a manipulação e a dominação física e/ou psicológica cega o homem, negando-lhe a verdade oculta pela escuridão de seus próprios pensamentos, transformando-o numa massa corpórea uniforme conduzida a aceitar ingenuamente e docilmente a cooptação ao caminho do erro. Logo, carecendo de um retorno à luz da sabedoria escrita nas alturas do Olimpo, muito além das sombras de Platão.
A rotina estéril que nos é imposta diariamente limita-nos a levar uma vida enfadonha que muitas vezes culmina num suicídio.
Ah, Rafael! Vivemos num mundo capitalista. Nem vem com teu materialismo histórico de Marx pro meu lado. Precisamos de dinheiro.
Concordo totalmente. Mas, qual o país onde mais se comete suicídio? Será uma tal de Suíça? Bem, deixa isso pra lá.
Nem tanto a Deus nem ao Diabo, nem ao céu ou ao inferno, muito menos ao maniqueísmo. O que seria do mundo sem a dicotomia do faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço.
Os nossos pais geralmente nos ditaram o que era o certo. Mas será que eles sabiam o que era o certo. Exemplificarei de maneira extremamente simplista para concluir meu longo raciocínio.
Meu pai não tem time de futebol. Ele torce pelo time que ganha. Meu time de coração é o Sport Club do Recife, um dos três maiores clubes de futebol do estado de Pernambuco. Virei torcedor deste time quando era um garoto imberbe por amizade a um vizinho (Obrigado, Renné). Mas por que não torci pelo Náutico ou o Santa Cruz? Afinal de contas o Náutico era hexacampeão pernambucano e o Santa tri-super-campeão (Ohhhh!!!). Nasci no ano de 1981, ano que meu time de coração conquistou um super-campeonato, sagrando-se bicampeão e tricampeão estadual no ano seguinte. De 1981 até 2009 (ano que estamos) meu time conquistou 16 títulos estaduais (desses, eu lembro de 14, ou seja, depois dos meus 7 anos de idade, incluindo um penta (1996-2000) e o atual tetracampeonato), 2 regionais, 3 nacionais e duas participações na Libertadores da América. Eu tenho uma sobrinha linda (Heloísa) que no ano passado gravou um maravilhoso vídeo sobre o tricampeonato do Sport. Hoje do alto de seus 3 anos de idade, ela se vê psicologicamente impedida de gritar TETRACAMPEÃO, pois seu pai (Um sofredor. Perdão, ato falho, um tricolor) a convenceu que Sport era palavrão e que seu time de coração era o “mais querido”, ou seja, o Santa Cruz.
Agora imaginem quantas coisas as crianças não tomam como verdade absoluta por imposições deturpadas pelos seus pais ou outro formador de opinião. É óbvio que isso tudo faz parte de uma brincadeira séria. Afinal de contas... Eu sou... TETRACAMPEÃO!!!

PELO SPORT TUDO! Inclusive esquecer os pensamentos que fazem minha cabeça doer. Pensar dá muito trabalho.

Quanto ao sentido da vida... Ariano tem razão... O físico dinamarquês Niels Bohr é o cara: “O sentido da vida baseia-se em não haver sentido nenhum em dizer-se que a vida não tem sentido”.

Se acha que estou errado assista ao vídeo.


Cazá, cazá, cazá, cazá, cazá... A turma é mesmo boa. É mesmo da fuzarca. SPORT! SPORT! SPORT!”

terça-feira, 14 de abril de 2009

O DETERGENTE DO TEMPO ou PASSOU, APENAS PASSOU

Começar escrevendo pela introdução é o óbvio. Porém, muitas vezes existe um prefácio ou um prólogo. Então, começarei a postar meus pensamentos noires de agora com duas notas explicativas iniciais.
1- Nilson, meu caríssimo amigo, se você achar este meu post grande, o problema é seu. Te amo mesmo assim.
2- Meu ex-aluno Thiago, você tem toda razão ao me achar contraditório. Estou me expondo muito pra quem alardeava uma enorme aversão pelo Orkut e pelos blogs da vida. Mas estou assim... Uma metamorfose ambulante.


Segunda-feira, 13 de abril de 2009, o que este dia tem de “mais”? Provavelmente tem dois “mais”. Um com “i” e outro sem “i”. Resolvi exorcizar certos fantasmas adolescentes e celebrar a lembrança de eternos ‘amigos’.
Há certo tempo venho matutando idéias sobre o “Muito além do Orkut” para falar sobre o valor da amizade e dos caminhos da vida. Uma colega, colunista da Revista Vip, certa vez falou que amigos do passado são para ficar no passado, haja vista os caminhos escolhidos por esses outrora confidentes forem muitas vezes distantes, e anseios em comum seriam raros.
Concordo e discordo com ela. Nunca retiraria uma amizade do passado. Mas amigos sempre são amigos, independente dos caminhos, ideais, opções e crenças. Tenho amigos hetero, homo, bi, a, pã, careta, viciado, evangélico, católico, candomblé, agnóstico, ateu, conservador, comunista, anarquista, alienado e por aí vai. Tenho meus conceitos e preconceitos, nunca fui hipócrita. Contudo, acho que agora perto dos 30 devo perdoar meu “eu” adolescente.
Ser adolescente é: se decepcionar com alguém que julgávamos ser nossos grandes amigos, é se apaixonar perdidamente pela nossa(o) melhor amiga(o), é falar um bocado de besteira e achar que tudo isso é verdade (Perdão, achar não, ter certeza). Porém, com o tempo a testosterona vai diminuindo e a maturidade vai batendo e observamos o monte de porcarias que a gente falava. Possivelmente eu fui (e sou) o cara que mais falava porcaria que eu conheci. Meus pais, familiares e amigos foram e são testemunhas disso... Mas, voltando...
Este ano completa dez anos que concluí o Ensino Médio e muitos dos meus ex-colegas ficaram junto ao birô do professor do colegial, ou seja, a amizade não durou ao cruzar dos umbrais escolares. Porém, muitas das minhas amizades foram encerradas antes mesmo do fim deste período da vida. Quero pedir PERDÃO a todos àqueles que eu magoei de alguma forma com atitudes infantis típicas de uma pessoa com mente em formação. Ao mesmo tempo estou me munindo de um poder ímpar ao dizer que PERDOO todos que de alguma forma me magoaram. Não serei leviano e citar nomes que possam comprometer alguém. Entretanto, citarei nomes de algumas pessoas que fizeram parte da minha vida e que nunca esqueci e nem esquecerei e, possivelmente, ganharão posts individuais no futuro.

Rafael Ribeiro: Desse não faço questão de dizer muito agora, a não ser que é nada menos que um irmão.

Os três mosquiteiros: Hélio, Duda e Ênio. Pessoas que amo muito. Ênio, possivelmente foi meu amigo mais importante quando meu xará foi pra Brasília em 1998. Hoje em dia Duda é o que mais vejo. Mesmo assim vez perdida. Ênio está casado e tem um filho (Caio) que já está enorme. Hélio e sua linda esposa estão felizes no Norte. Duda vem enrolando Flavia há... deixa pra lá.

As meninas: Cláudia, Mirela, Pollyana, Annalice, Carol e Waleska. É óbvio que tinha muito mais meninas naquela A-17 e B-16 do Atual de Olinda. Mas elas eram as que possivelmente eu mais mantive contato. De Annalice e Waleska pouco sei. Imagino que Annalice seja advogada. Carol soube que está casadíssima. Mirela é médica e está completa com seu amado marido. Cláudia também se encontra casada. Já Pollyana foi minha grata descoberta da internet, tornou-se a artista que eu imaginara que se tornaria.

The Surfaces: De Fábio, Thiago Tavares, Rodolfo e André Luis já falei tempos atrás. Amigos que me acompanharam também na turma de Humanas no 3º ano. Amo-os muito.

Humberto: Bem, Betão faz séculos que não tenho notícias, mas este eu conheço desde tenros cinco anos de idade. Estudamos juntos da alfabetização até o fim do Ensino Médio. É sem dúvidas um grande sujeito, uma mente brilhante. Admiro, respeito e amo.

Em meados de 1998 tive meus motivos particulares para mudar de turma e fui estudar com o pessoal da B-17, turma de meu amigo Fábio Manzano Renesto e da minha irmã-afim Alyne Anne, ou seja, não estava só.

FMR: Fábio sempre foi meu amigo desde a época do Imaculado. Passou um tempo na Europa e agora está de volta. Tatuagens depois, está casado e tem um filho lindo.

Acerolas: No 2º ano aconteceu uma feira agropecuária – espécie de feira de ciências – e meu grupo era o de Alyne. Era formado por 12 pessoas, apenas três homens. Contudo, excetuando a minha pessoa, os outros dois membros masculinos tinham a opção sexual questionada pelos alunos da B-17. Se eram ou não eram, nunca me importei. Porém, de algumas pessoas desse grupo faço questão de falar. Alyne é minha irmã e nossas famílias estão unidas por natureza. Mariana foi uma grande parceira intelectual – fantásticos 10, hein?! Renata Prado foi uma grande amiga. Sinto sua falta. Encontrei ano passado no carnaval, hoje ela é advogada. A sua Xará sei que é muito amiga de Alyne e com dez anos de atraso digo: Obrigado pelas palavras! Nunca esqueci. Você foi nobre com seu bilhete. Shirley Andrade foi uma confidente nos anos de 98 e 99. Segredos continuam comigo. Sei que hoje está casada. Ana Luisa (Belo nome por sinal) também está casada e feliz. Carol (Bóia), continuo te devendo aquele livro que eu escrevia nos passados tempos, lembra?! Acredito que hoje seja psicóloga.

Muitas histórias estão na minha mente, na minha lembrança, mas as mágoas que por muito tempo me acompanharam não existem mais. Sinto-me renovado após isso. O mundo já possui muitos sentimentos negativos para que percamos tempo com mesquinharias. Hoje encontro meus ex-colegas em virtuais ambientes e os vejo mais bonitos (ou nem tanto), mais gordinhos (ou não), mais carecas (ou mais peludos), casados (ou separados), com filhos (ou cachorros)... Contudo, sei que todos tocam suas vidas, independente de mim, independente de quem fomos e independente de quem seremos. A vida é como é. Independe dos filmes que vejo no Cine-PE.

“Mesmo que o tempo e a distância digam: NÃO. Mesmo esquecendo a canção.”

sábado, 28 de março de 2009

SEIS ANOS ou SEM MEDO DE SE EXPOR




Há exatos seis anos tomei duas decisões que mudaram minha vida e ajudaram a me transformar no homem que sou hoje.
Não me transformei num grande Homem. Eu sei. Sou colecionador de defeitos e fracassos. Arrependo-me de inúmeras coisas que fiz e deixei de fazer. Contudo, as importantes decisões que tomei no dia 28 de março de 2003 deixam-me extremamente orgulhoso de mim mesmo. Uma delas foi a de largar o vício do maledito cigarro. Algo que aconselho a todos os meus amigos e leitores a fazerem. Embora admito que fumar é prazeroso, calmante, etc... Não existe fumante inconsciente. [...] Porém, minha maior decisão, a decisão mais importante que tomei em minha vida de (des)prazeres foi a de abrir mão de muita arrogância, boçalidade, auto-suficiência e me entregar de olhos fechados aos prazeres desconhecidos da vida a dois.
Tenho lembranças que fariam o google processar bilhares de páginas. O escritorzinho que vos escreve não seria um nada se não fosse a mulher que tem a sua frente. Ela sim é uma grande mulher (de 1,54m, mas gigantesca). Eu provavelmente já estaria em algum boteco escrevendo poesias em guardanapo e conversando com as formigas se a minha linda e maravilhosa mulher não estivesse segurando minha mão, me ensinando e aprendendo a viver como um só ser, mas com direito a todas as individualidades do mundo. Somos crianças, simples passarinhos que saíram do ninho e estão encarando os perigos e mazelas do mundo que esconde a cada esquina.
Tempos atrás me considerava o melhor homem do mundo. Hoje tenho certeza que sou só mais um bobão limitado que não sabe de nada e reclama da vida tal qual a hiena Hardy. Se não fosse a maiêutica socrática indubitavelmente eu não teria feito nada em minha vida e perdido todos os gloriosos momentos que minhas decisões de seis anos passados me proporcionaram.
Como fã de Lewis Carrol posso dizer que meu relacionamento tem a mesma idade que a Alice tinha quando resolveu entrar no buraco do coelho (por favor, sem maldades, ok?) e descobrir o novo e maravilhoso mundo. Assim é o amor, um novo e maravilhoso mundo. Nem sempre sabemos o que nos aguarda, nem sempre gostamos de tudo, nem sempre estamos livres do perigo, nem sempre fazemos tudo que gostamos, mas sempre vale à pena lutar por aquilo que se acredita. Amar é pensar como uma garota curiosa de seis anos, é investigar o que tem do outro lado do espelho, pois talvez você encontre um mundo o qual a imagem refletida não é a sua, mas a de outra pessoa.
Hoje eu sei. A imagem que tem do outro lado do espelho não é a minha. Não vejo esse bobão de 1,84m, mas uma maravilhosa mulher de traços fortes e opiniões idem. A mulher que eu amo. Não banalmente, mas conscientemente. Sei que tenho capacidade para escrever inúmeras coisas como poesia, contos, livros até, para expressar esses seis anos de história (linda em grande parte), mas optei por falar na primeira pessoa, pois falo pra minha maior leitora principalmente, falo pra minha Glena (Com G), que embora eu seja esse assumidamente maluco e perdido em pensamentos soltos de uma mente noir, eu a amo, ou seja, EU TE AMO, MEU AMOR. MUUUUUUUUUUUUUUUITO!!!!

Vários beijos, como sempre.

O seu (sem medo de se expor) Mozinho.




Por você eu dançaria tango no teto