quarta-feira, 20 de outubro de 2010

VIRGINIANOS VIRGENS ou VIRGINIANAS VIRGENS


Virginianos virgens, visionários visitantes, virtuosos viris, vivem visualizando vitórias vacantes
Virginianas virgens verbalizam vaniloquências vaticínias
Virginianos virgens valorizam valentia, valsistas vagueando, vaporosos vestidos
Virginianas virgens vangloriam verdades viscerais
Virginianos virgens, ventríloquos versejantes, vilões vigaristas, vigilantes vigorosos, vingativos, violentos virgíneos
Virginianas virgens, virtuosas viciadas, vocalizam vivas volúveis
Virginianos virgens voluptuosamente velam velhas viúvas
Virginianas virgens vestem-se vagabundosamente vorazes
Virginianos virgens veneram vampiricamente virilhas venenosas
Virginianas virgens verdascam vaidosamente valiosos vassalos
Virginianos virgens vasculham vizinhas vadias, vermelhas vaginas
Virginianas virgens viajam vertiginosos vôos vãos
Virginianos virgens voltam vigorosos, vistosos, vitalícios
Virginianas virgens voltam, virgindades vitimadas  

MAIS DO MESMO ou RETURNS AGAIN


Rafael, por que será que as pessoas deixam de acreditar em você?

Primeiro: Porque você não acredita também.
Segundo: Você só fala, fala, fala, fala, fala, fala, fala...
Terceiro: Qual é a pergunta?
Quarto: Deixa pra lá.

Bem, amigos (tão ingratos quanto eu), mais uma vez vou tentar voltar. Então...

Baby come back, any kind of fool could see

sábado, 4 de setembro de 2010

CAMINHANDO NO MEIO FIO ou RETICÊNCIAS MIL

Possivelmente eu não sou o primeiro nem o último blogueiro que passa uma quantidade excessiva de dias sem postar absolutamente nada. Minha mente fervilha inúmeras vezes com pensamentos que vacilam entre o amor tátil e as realidades intangíveis.

Ultimamente eu olho pras coisas que escrevo e vejo que a grande maioria das coisas possui um tom confessional, talvez por isso esse blog singelo seja tão anti-atraente. Não que as pessoas não tenham sua curiosidade atiçada com as confissões que rolam pela blogosfera mundo afora. Muitas vezes corremos o risco de caminhar por tênues linhas, seja qual tênue linha for. Ora podemos parecer pedantes, arrogantes ou boçais, arrotando a cultura que consumimos pelos anos que temos. No meu caso, a cultura doce e amargamente ingerida por 29 anos completados hoje. (Parabéns, Rafael! Obrigado!)

Nesse momento vivo o período de latência entre os aspiros criativos e a inércia que emana por cada átomo do meu flácido corpo.

De fato, gostaria de mostrar o tempo inteiro as coisas que passam pela minha cabeça, mas, como vocês (alguém ainda lê o que escrevo?) podem ver... Apenas reticências ficam aparentes.

Bem, amigos (desta vez sem o chato do Galvão), em breve vou postar uma poesia virginal para lembrar a vocês que ainda sou um escritor... Escritor marginal, mas escritor.

Saudade de vocês, e, sobretudo, saudades de mim.


Eu... Caçador de mim.

sábado, 24 de julho de 2010

EU: MAIS DO MESMO ou NOIR: NÃO FUI EU, FOI MEU EU LÍRICO


Quando criei esse blog, de forma totalmente despretensiosa, meu objetivo era ter uma atividade para as minhas madrugadas de insônia, assoladas pelas preocupações da vida que eu possuía. Era uma forma de terapia, bem como o desenvolvimento de um espaço para eu postar as loucuras literárias que passavam pela minha cabeça. Com o tempo, os “Pensamentos Soltos de uma Mente Noir”, acabou se tornando o local onde eu extravasava meus pensamentos soltos, literalmente.
O cara reservado, ora extrovertido, avesso a internet e a excessiva exposição que ela proporciona, muitas vezes maculando imagens e servindo para que canalhas abusem da fragilidade de inúmeras pessoas, entrava na blogosfera. Como falei, certa vez, tinha horror a “blog”, “Orkut” e seus semelhantes, visto que essas ferramentas virtuais servem para que outras pessoas saibam muito sobre sua vida particular e sua personalidade. Em agosto de 2008, criei esse blog e uma conta no Orkut, porém, tenho escrito muito pouco por aqui, sobretudo, por deixar de lado quase tudo que começo... Pausa pra um parêntese... (Estou revelando traços da minha personalidade com o que acabei de escrever? Estou dando margens para que me julguem e tracem um perfil de um certo “Rafael”? Bem, não tenho uma única comunidade no Orkut, pois não gosto que me conheçam superficialmente. Embora, no blog é diferente, qualquer coisa digo que não fui eu, foi meu eu lírico.)
Sim, mas... voltando... A busca do auto-conhecimento (ainda tem hífen?) sempre foi uma das minhas maiores obsessões. Tento descobrir todo dia quem sou, enlouquecendo-me, e, levando milhares à loucura comigo. Como a lagarta do narguilé, inquiro – “Quem és tu?”. Essa sempre foi a frase que se encontrava na parte final da página deste singelo espaço. Bem, não sei se todos sabem quem são, “eu só sei que não sei. A verdade quem sabe não diz”, haja vista – “Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo, do que ter aquela velha velha velha opinião formada sobre tudo, do que ter aquela podre e velha opinião formada... formada por toda essa babaquice que está aí existindo e parando sobre nossas cabeças... Esta lama que a gente engole e não faz nada... nada... mas, esse caos de gente é um sinal de que algo está pra acontecer”.
Pensamentos Soltos de uma Mente Noir” tem inúmeras marcas registradas, uma é o título (sempre duplo, com um “ou”), outra é a frase final (sempre trechos de música ou livro), e, finalmente, as minhas divagações e viagens psicodélicas, meio filosóficas, meio cômicas, meio... “noir”. Contudo, como comentou uma vez, aqui mesmo nesse blog, uma graaaaaande amiga – Elyne – isso aqui tudo é um manual para conhecer mais o Rafael. 
Como fiz novos amigos esta semana, dedico a eles este post. 

Prazer em conhecê-los!

São pensamentos soltos traduzidos em palavras. Pra que você possa entender o que eu também não entendo”.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

ENTRE OS PECADOS E OS PENSAMENTOS ou À ESPERA DO ECLIPSE

No meu aniversário de 2008, ganhei da minha prima Ju um livro de auto-ajuda chamado “Não leve a vida tão a sério” de Hugh Prather.
Na sua sinopse é dito que “A vida não precisa ser tão complicada quanto insistimos em torná-la. A simples decisão de não se agarrar aos problemas pode melhorar - e muito - nossas vidas. É isso o que Hugh Prather nos mostra, com humor e clareza, neste livro. Ele escreve sobre as dificuldades do dia-a-dia e nos dá ferramentas para contorná-las, mudando o que há de mais importante na vida: nossa atitude mental e a forma de reagir aos inevitáveis contratempos. Seus ensinamentos são baseados em histórias reais que nos deixam com a sensação de já ter passado por aquela situação ou testemunhado algo parecido. Você aprenderá soluções práticas para dar um basta às preocupações e ao medo, e se libertar de tudo aquilo que impede sua felicidade”.
Na época Ju era minha assistente na empresa-dor-de-cabeça-causadora-de-danos-psicológicos-punk-rock-hardcore que eu possuía. Ju presenciou meu desespero recorrente inúmeras vezes, decidindo, então, que não havia presente melhor para meus 27 anos. Embora eu abomine esse tipo de literatura. Sua preocupação comigo foi louvável, sempre fomos mais de perturbar um com o outro do que nos preocuparmos. Nossa relação ficou mais estreita desse tempo pra frente. Entretanto, passado quase dois  anos desse aniversário, posso afirmar categoricamente que não levo absolutamente nada a sério há bastante tempo. Talvez desde a época da minha adolescência, quando estudar não era tão importante pra mim. Levei minha graduação “nas coxas”, não trabalhei até 3 meses antes do meu casamento, passei a gastar mais do que ganhava, tive épocas que bebia mais álcool que água, negligenciei amigos e familiares, logo, todos que amo, meus pais, minha mulher, meus avós, minha irmã, e, sobretudo, a mim mesmo. Passei a comer bastantes porcarias, parei de praticar exercícios, engordei como uma solteirona de meia-idade, bem como deixei de acreditar nos meus ideais e nos meus sonhos.
Sempre fui de ter grandes ideias, mas de pouquíssimas atitudes. Minha mulher e meus amigos acreditam muito mais em mim que eu mesmo. Passei por momentos que apenas assistia seriados americanos e outros que só jogava Paciência no computador, não tendo uma única fonte de renda qualquer. Era o auge da depressão. Essa maldita doença da sociedade pós-moderna. Talvez nada que eu escreva faça meus parcos leitores entender o que quero dizer. Então, farei uso de uma frase nada ortodoxa. Puta-que-pariu é foda. Perdoem-me pela grosseria. Mas estou muito puto comigo mesmo. Fico assim sempre que reflito sobre os rumos que dei para a minha vida. Tantas palavras ficam sem serem ditas por simples preguiça ou descaso, tantos livros pra ler, tantos filmes para assistir, tantas músicas pra ouvir, tantos lugares e pessoas para conhecer, tantas coisas que eu podia consertar, tantas vidas que eu podia melhorar, sobretudo, mais uma vez, a minha.
Estou eternamente envolto pelos sete pecados capitais do cristianismo, segundo São Tomás de AquinoVaidade, Inveja, Ira, Preguiça, Avareza, Gula e Luxúria. É isso, fui vaidoso e arrogante muitas vezes, desejei e ainda desejo ter a coragem e a dedicação de pessoas que admiro, explodi de raiva e magoei muita gente, não apresento disposição sequer pra levantar da cama, fui mais egoísta que qualquer outro virginiano, comi como se fosse morrer no dia seguinte e me dediquei ao meu próprio bem estar. É mais ou menos assim que analiso a situação. Com 2% para mais ou para menos. Mas como sempre, no fundo, no fundo, desejo mudar, pois do fundo do poço não posso passar. Tudo ficará mais claro no esperado dia do eclipse.

Desorganizando posso me organizar

sábado, 29 de maio de 2010

AMIZADE: QUANTO VALE OU É POR QUILO? ou O PODER DE UM SLOGAN


Esperei bastante tempo pelo dia 28 de maio para escrever sobre o que penso sobre a amizade. Infelizmente não pude escrever ontem devido a limitação das horas. Possivelmente nem de longe eu consiga realmente expressar o que eu sinto. Sobretudo porque esqueci tudo que queria dizer de verdade. Decepcionei-me com quase todos que chamei de amigo em minha vida. Talvez eu também não seja um bom amigo. Algo é certo, jamais faria propositalmente algo para magoar quem quer que fosse. Até meus inimigos respeitam meu caráter e me julgam ser uma boa pessoa. Ontem foi o aniversário de um ex-grande amigo. Um amigo que me matou dentre dele por termos juntando dois elementos que raramente combina: amizade e dinheiro. Quando seu amigo vira seu sócio, às vezes perde-se um amigo. Eu perdi tudo. De quebra ganhei dívidas e uma enorme dor no peito. Queria muito poder voltar no tempo, desfazer tudo e dizer que a única coisa que me importava era a sua amizade. Minha família tem bastantes mágoas dele, assim como imagino que a família dele deva me julgar mal. Espero que um dia tudo isso passe.
Essa noite sonhei com ele, estávamos na praça de alimentação de um shopping conversando. Eu dizia – “Eu sei que isso é um sonho. Você não quer mais falar comigo.” Ele me respondia – “É claro que você está sonhando. Do contrário eu não estaria na sua frente.” Eu concluí dizendo que só queria saber como ele estava e como estavam os filhos dele. Nisso um garçom chegou e pegou no meu ombro e falou – “acorda”.

Foi frustrante. De fato estava sonhando.

Essa é uma amizade que sinto totalmente responsável pelo seu fim. Embora jamais esquecerei os bons momentos que vivemos juntos e de como ela foi importante.

Não costumo guardar mágoas e rancores dentro de mim, há certo tempo venho tentando me poupar de um câncer e poupar o mundo de mais energias negativas. O que não implica dizer que sou um santo, mas busco ser um bom cidadão, um ser humano de verdade.

Sempre fiz as coisas visando compartilhar, dividir. Dizem que dividindo se multiplica. Você pode achar que sou um inocente, um bobo, o elo fraco da cadeia alimentar. Tudo bem, não ligo mais pra isso. Sou durão quando acho que devo ser, mas com o tempo e a diminuição da testosterona tenho me tornado mais tolerante e paciente. Não espero muito dos outros. Não crio expectativas. Vivo o momento.

Atualmente é veiculado na mídia um comercial de carro que o slogan final é – “o que você leva da vida é a vida que você leva”. Acho isso de uma poesia tão linda, de uma reflexão filosófica tão forte. É fato - “o que você leva da vida é a vida que você leva”.

Conheci muita gente ontem, fiz uma palestra pela manhã no auditório da Escola Sylvio Rabelo, para um grupo de professores e de futuros professores, o tema era “Raça, etnia e racismo”. Saí de lá com a certeza de um trabalho bem feito e de que pude contribuir um pouco com outras pessoas .  Recebi em troca o pagamento que mais me alegra – aplausos, sorrisos e felicitações. Nem tudo se faz por dinheiro. Como diria John – “você pode me chamar de sonhador, mas eu sei que não sou o único”.
Sei que provavelmente eu fui assunto de conversas para alunos e professores durante o dia de ontem. Causo isso nas pessoas. Embora, tempos atrás, nem sempre era por uma boa impressão. Nem todos sabem quem sou. Mas não uso máscara há muito tempo. Meus "amigos de verdade" me conhecem, porém, alguns deles esqueceram o que é amizade. Mas tudo bem. Eu seria um péssimo amigo se não soubesse perdoar. Torço pela felicidade de todos como a minha própria. Mas, sou humano, às vezes também fico triste. Contudo, não o suficiente para esquecer o poder de um sorriso. Afinal - “o que você leva da vida é a vida que você leva”.


Mesmo que o tempo e a distância digam não. Mesmo esquecendo a canção.”

quarta-feira, 7 de abril de 2010

NEM TUDO SÃO FLORES ou PÍLULAS DIFÍCEIS DE ENGOLIR


Faz tempo, eu sei. Faz tempo que não entro nessa casa. É que muitas vezes é impossível compreender o que os mortos querem dizer e a psicografia é uma das mais duras tarefas.

Um dia eu dei sorrisos sinceros. Um dia eu enchi meu peito de esperança. Um dia eu acreditei que faria a diferença. Um dia tive certeza que meu destino era grandioso. Ledo engano. Quando abri a porta e aquele majestoso cavalo me era presenteado, senti-me um rei. Quanta ilusão, garoto bobo. Era apenas o cavalo de Tróia, muito pior que qualquer ouro-de-tolo. Aquilo que eu perseguia tinha velocidade sônica. Eu, pobre caramujo, abro os olhos depois do armagedom. Esfrego meus vermelhos olhos, incomodado com o calor e a fumaça, confundindo odores de orégano, incenso e o perfume doce de uma matrona francesa. Sinto falta da carteira velha, do cigarro amassado dentro do bolso da calça, dos chopps, dos garçons que me atendiam... Sinto falta do tapinha nas costas, dos parabéns, dos elogios... Qual a vida que quis? O que sempre sonhei? Queria o prazer de jogar elifoot com meus primos, de dar velhas tacadas na sinuca com amigos que nem recordam meu nome... Levei um tiro do melhor amigo que tive em vida. Morri. Preciso de uma pausa pra vomitar. Minha respiração está se extinguindo. Colocaram tela no CFCH. Só mais um trago, eu prometo. Quem sabe assim consigo ver os furta-cores do bater de asas daquela larva morta que batizaste sutilmente – borboleta. Onde miras brisa, vejo teoria do caos. Ratos, dinheiro, políticas e puteiros, onde seminaristas questionam a semântica da homofobia e da pedofilia. Na outra mesa um juiz togado engole fezes, satisfazendo seus sujos prazeres escatológicos. No meio disso tudo uma criança perdida, apenas de meias vermelhas, chora, lambendo o catarro que insiste em escorrer. Entre drogas e masturbação sigo pelos corredores, com medo das balas perdidas que saem dos labirintos de um cérebro cada vez mais putrefato. Adiante, uma pichação de banheiro implora por ativos bem-dotados para preencher o rabo de uma bichinha sedenta de rola. Mais uma vez o cheiro de sexo incomoda os pelos do meu nariz. Enquanto isso, uma mensagem em meu celular me inquire – Onde anda o romantismo? Onde anda o amor? Morreu com Cazuza, talvez. A emoção acabou tal qual o amor. Amor com o qual e sem o qual a vida segue tal e qual. Virei terrorista. Queria uma bomba que paralisasse o tempo, queria uma língua universal, o fim das fronteiras... Eu queria. Queria um tempo verbal, um futuro seu mal e sem mau. Queria tudo igual, sem dúvida gramatical, onde o medo de estar, esta, está apenas no campo da imaginação. Imaginativos humanos, suas criações incríveis e pequenas criaturas. Smurfs e Snorkels conversam sobre socialismo no diretório acadêmico, enquanto isso na sala do colegiado o bruxo Gargamel pede ajuda ao Mestre dos Magos para que finalmente consiga comer a Smurfete. Eu, voyeur, observo tudo em cima do muro, como todos. Assistindo-me na televisão desligada, rindo para câmera e agradecendo pela segurança de uma morte filmada. Você, encantado com uma TV 3D, baba, orvalhando rosas, hortênsias e margaridas. Pra não dizer que não falei de flores.


"Queixo-me as rosas. Mas que bobagem. As rosas não falam."