domingo, 22 de julho de 2012
quinta-feira, 19 de julho de 2012
ATRÁS DAS SOMBRAS ou UMA CANÇÃO PARA PEDRO
Deixei de mão as idas à
psiquiatra. Tão pouco tenho tempo para entrar nessa casa suja e empoeirada.
Sinto falta do sol que entrava timidamente pelas frestas das persianas da minha
janela. Hoje, nem a fumaça do cigarro se apagando vem me visitar. Ela também
está ocupada demais para me dá o prazer de sua companhia.
Vivo entre as melancolias de Lars von Trier, de Foucault e as de Freud. Como
se tudo, inclusive a dor da solidão fosse uma obra de arte. Vale salientar que
qualquer interpretação pura e simples de uma obra de arte é limitar-se e
incorrer categoricamente no erro. Contudo, qualquer espectador ou apreciador,
independente de sua formação tem o poder de absorver a sua maneira tudo o que
foi observado e/ou contemplado. Possivelmente, a única pessoa capaz de
compreender os objetivos de uma obra artística seja seu próprio autor. Não
obstante, após tornar público, o criador não tem mais nenhuma posse sobre sua
criação. Logo, cada espectador, ouvinte ou leitor tem direito a uma
interpretação particular.
Hoje,
apenas melancolia. Surgida na psiquiatria com Pinel e Esquirol como um
delírio em torno de um único objeto. Um delírio empobrecido, de fala limitada,
que carrega uma lamentação e uma culpa muito profundas. Freudianamente falando,
Luto e melancolia, uma comparação constante entre a melancolia e o
processo de luto. Melancolia causada por uma perda de objeto, no meu caso, a
perda de um talento, o de escrever.
Por
isso, poesias curtas.
Simples
e singelas palavras.
Saudades?
Tenho
muita.
Sobretudo
do tempo em que cantava a Pedro as suas queixas da solidão, suas idas
cotidianas ao trabalho, suas dúvidas maniqueístas e seus choros no banheiro.
De
fato, amigo, a vida é
séria e a guerra é dura. Mas te digo, Pedro, o seu oposto.
Não cale a boca, entre na nau e
viva plenamente essa loucura.
Todos os caminhos são iguais,
eles levam à glória ou à perdição.
Há tantos caminhos, tantas
portas, mas somente um(a) tem coração.
É só Raul.
Porque eu...
Eu perdi as palavras.
Eu não tenho nada a dizer mesmo
sabendo que cada um de nós é um universo.
Num eterno retorno nietzschiano, tudo
acaba onde começou.
As
relações humanas, agora, sob a ótica do fim iminente e de como se comportar
diante dele, vira o foco. Medo, compaixão, desespero, proteção, conformismo,
fantasia, todas estas sensações estão representadas perante o inevitável, o
fim.
Se
Este é o mundo dos loucos (Le Roi de Coeur),
fico com a sabedoria que aprendi com eles, pois Para amar o mundo é preciso ficar longe
dele.
“Pedro... deves-me trinta... o diabo não é
tão feio assim como se pinta.”
segunda-feira, 16 de julho de 2012
sábado, 16 de junho de 2012
QUANDO AS PUPILAS DILATAM ou MARÉ CHEIA
Tenho nove vidas
inúteis
Sem novelo
sem novenas
só as nove
Coceira no queixo
quem me toca?
Encaro o espelho
Como te chamas?
Não me chamo
Me chamam
Quem me encara?
Apenas um reflexo
Um reflexo de mim
Sou
Cortaram-me os bigodes
perdi a essência
Triste e vil
sem decência
Independente
Maldito
Vivo
Lambo-me
satisfaço-me
só
Nove vidas
aprendendo
a
ser
eu
inúteis
Sem novelo
sem novenas
só as nove
Coceira no queixo
quem me toca?
Encaro o espelho
Como te chamas?
Não me chamo
Me chamam
Quem me encara?
Apenas um reflexo
Um reflexo de mim
Sou
Cortaram-me os bigodes
perdi a essência
Triste e vil
sem decência
Independente
Maldito
Vivo
Lambo-me
satisfaço-me
só
Nove vidas
aprendendo
a
ser
eu
"Porém, já nascemos livres"
sábado, 2 de junho de 2012
domingo, 27 de maio de 2012
ENTRE OS SONHOS E AS LOUCURAS ou DEPOIS DO POST MORTEM
FOI!
ENCANTO MÁGICO
DESEJO DE FADA
REALIZADO
FOI!
SONHO
APENAS
HÁ
PENAS
DORES
DÓ
RÉS
SI
FOI!
"Há tempos tive um sonho... Não me lembro"
sábado, 12 de maio de 2012
EMBRIAGUÊS ou PRESENÇA
Ele
ficou
Sinto
sua presença
Frequente
Um
louco
Desejo
ardente
Olhos
fechados
Você
Bem
do lado
Cheirando-me
a nuca
Arrepiando-me
os pelos
Eu
Entregue
Alma
e corpo
Inteiro
Velho
lobo
Cordeiro
No
teu colo
Menino
Embriagado
Com
teu cheiro
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