sábado, 24 de novembro de 2012
A ARTE DE NÃO LIMITAR ou DESCRENTE
Ele não sabe o que é poesia
Confunde com rimas vazias
Entre linhas parnasianas
Frestas de persianas
Tudo igual
Tal e qual
Sem tesão
Intenção profética - redenção
Ele não sabe o que é poesia
Não acorda cedo ou
contempla o dia
Tão pragmático, tolo - bufão
Busca razão - cartesiana
Nobres raças - ariana
Ele não sabe o que é poesia
Enxerga fraqueza, apatia
Tudo passado
Nas naus dos loucos
Uma lembrança
Esperança lírica de uma luz
arrebatadora, que seduz
Pelos tijolos amarelos
O universo paralelo
Desde vidas passadas
No final da crucis via
Ele não sabe o que é poesia
"o poeta não morreu.... foi ao inferno e voltou"
terça-feira, 30 de outubro de 2012
TODO CARNAVAL TEM SEU FIM ou A INFINITUDE DA REFLEXÃO DE UM ROMÂNTICO NOIR
Quando despertei do coma auto-induzido, pude analisar com
mais frieza os diferentes universos que presenciei com meus fechados olhos
mortos.
Dizer que o mundo é feio e as pessoas mesquinhas, cruéis,
desprezíveis e portadoras dos setenta vezes sete pecados capitais, é ainda mais
inútil que as redes sociais que encontramos na internet.
Sempre acreditei que jogava bola no time dos mocinhos, que
era o “good guy”, apenas mais uma vítima das perseguições de um ou outro algoz.
Ledo engano! Sou o maior Lex de todos os Luthor, o inimigo que sempre evitei.
Em coma enxerguei o que os Românticos de Jena tentaram me
explicar com seus pensamentos sobre os pensamentos que pensamos enquanto
pensamos sobre o que pensamos quando nos pegamos a pensar sobre nós mesmos, levando-me
a auto-reflexão infinita e necessária para a perfeita crítica compreensiva.
Tão complexa quanto a tese de doutorado do Walter Benjamin é
a análise do próprio ego, tão putrefato e cheio de vermes que o velho Freud
jamais ousaria pôr sua mão. A mão das leituras quiromânticas, a que se pede em
casamentos, a que apertamos em momentos de confraternizações.
Despertado do coma, percebi que tantas máscaras recobrem meu
rosto que sequer conheço a feição que me devolve o olhar quando escovo os
dentes ou aparo os ralos pelos da minha barba.
Acho lamentável descobrir depois de vários anos de vil
existência que todos que convivem comigo apenas vislumbram a interpretação caricata
de um personagem circense desempenhado pelo dublê de um ator canastrão.
A mediocridade é tamanha que qualquer um que tenha o mínimo
de bom-senso descobre logo a dramaticidade digna dos dramalhões mexicanos, onde
Marias-Thalias tramam seus planos de vingança em reviravoltas de
tragédias-trash das novelas vespertinas.
De volta do coma, vejo que inúmeros amigos que admirava e
amava foram embora muito antes de um abraço de despedida, quiçá, talvez, um
aceno discreto. Por que eles se foram?! Possivelmente pelo mesmo motivo que eu.
Decepção, apatia, arrogância, vaidade, ego, insatisfação, ou mesmo uma fuga,
uma saída pela tangente, à francesa. Afinal de contas, no fundo ninguém deve
satisfação a ninguém e todo carnaval tem seu fim. Tudo é pesado. Paz não há, visto que a preocupação com o próprio gozo é a lei - de meninos a lobos.
Retornado do coma, não havia flores na alcova, nem esposa,
nem amante, nem pais, nem filhos, apenas um espelho enorme emoldurado em madeira, onde se lia a gravação em latim nosce
te ipsum, a pedra angular da filosofia de Sócrates, a tão falada Maiêutica, a verdade procurada no
interior do homem.
E mais uma vez, como sempre, tudo retorna ao homem, ao EU, seja em Sócrates,
sejam nos Românticos de Jena, seja no velho barbudo da psicanálise ou mesmo em
mim, despertado do meu coma.
"Dessa vez eu já vesti minha armadura. E mesmo que nada funcione eu estarei de pé, de queixo erguido"
terça-feira, 21 de agosto de 2012
IDENTIDADES: DE GARGA A RANZINZA ou CHATICE DE INFERNO ASTRAL
Vou escrever este post como
muleta. Quero exorcizar minha raiva, meu ódio, minha dor. Diferente do que
costumo fazer, não utilizarei subterfúgios, eus-líricos, porra nenhuma. Quero
todos na casa do caralho. E se vocês me conhecem, sabem que não sou assim.
Sou conhecedor de identidades
e sei que o homem pode ter inúmeras. Ninguém é, as pessoas estão.
A identidade é um processo de construção e desconstrução, dinâmico,
conflituoso, imagético, discursivo, coletivo e individual simultaneamente,
indicando os contornos do que viria a ser cada indivíduo ou cada grupo. A
identidade não se determina de modo autárquico, sem referência a um
antagonismo, ou melhor, face uma figura antagônica, sendo necessária para isso
uma negociação, implicando num conflito
argumentativo ou até mesmo impositivo.
Sob a égide da identidade se
procura encontrar na ascendência comum ou num destino manifesto a orientação
que contradiga as tendências desestabilizadoras e a incerteza do presente.
Não obstante, tem horas que “presente
de cu é rola”.
Estou no meu inferno astral, de
saco cheio, querendo mandar meio mundo se fuder...
Por quê? Porque sim, ora.
Porque tá quente ou frio, porque
estou gordo, porque não tenho mais 20 anos, porque não tenho mais certos
amigos, porque estou feio, porque minha barriga e minha coluna doem, porque
odeio médicos, jornalistas, políticos, religiosos, porque hoje sou mais
Ranzinza que Gargamel.
Caralho, Rafael, onde estão os
versos que decantas?
Às vezes os versos se vão com as
luzes do dia.
Às vezes amores se vão quando se
acaba o calor.
Às vezes amigos se vão quando chega
à dor.
Por quê?
Porque tudo é vão.
Meus versos, meus eus, meus
porquês... Tudo vão.
Inútil e seco.
Como diria Caetano, “hoje não tem
Fernando Pessoa”.
Sem poesias, sem gatos, sem
sorrisos.
Hoje estou o O, um zero. Zero a
esquerda. E como Zeroquatro...
“Vou mandar se fuder simplesmente”
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
ENTRE A INVISIBILIDADE E A FRAUDE ou APENAS CONSUMINDO PEDRAS
Que laço invisível é esse que aproxima tanto os leitores de
seus escritores?
De certo, os autores muitas vezes se fazem próximos. Contudo,
o leitor cria um elo de afetividade ao autor das obras que tão tenazmente
devora.
Aos parcos leitores que tenho, meus ilustres
pseudo-desconhecidos (pseudo porque me aproximo facilmente deles por
comentários e e-mails ), fico grato, e, envaidecido até, com seus contatos.
Lembro quando escrevi um e-mail para o escritor e blogueiro Ismar
Tirelli Neto e ele me respondeu. Na ocasião ele falou do ficar “pimpão”,
sensação desenvolvida com o contato desses desconhecidos seres que se fazem tão
próximos.
Jamais poderei imaginar o que sente uma celebridade. Sendo
sincero, fico feliz com isso, haja vista gostar de ficar próximo, de ter
contato com quem lê o que com tanta sinceridade escrevo.
Das pessoas que comentam o que escrevo menos de cinco já me
enviaram e-mail. Logo, fica difícil saber o que é ser maciçamente lido.
Não sei como me comportaria, pois temo muito a vaidade. Ele é
de todos os pecados o mais tentador.
Sou o mais famoso desconhecido onde ando.
Nem meus pais me reconheceriam em determinados eventos.
Sobretudo, por eles não lerem nada que escrevo. Longe de ser uma crítica, pois possivelmente
seja melhor mesmo não lerem o que escrevo.
De todos os escritores recifenses da minha geração, é
provável que eu seja o pior deles. Não fui dos Urros Masculinos, das Vozes Femininas,
do Nós Pós, da oficina do Raimundo Carrero, nem publiquei no Interpoética. De
todos sou o menos acadêmico, o menos culto, o menos empenhado, o que menos
escreve.
Tem horas que me odeio por tanta falta de compromisso de
minha parte.
O que faz um escritor escrever é a INQUIETAÇÃO. Sua mente
fervilha, clama pra que suas ideias saiam do campo do imaterial para a
materialidade palpável das letras, palavras, orações, frases, parágrafos,
páginas, livros...
Um escritor só existe quando escreve. Do contrário, ele nada
mais é que uma fraude.
E fraudes... conheço muitas.
“Inútil... a gente
somos... Inútil.”
domingo, 29 de julho de 2012
PARAÍSOS ARTIFICIAIS ou TRÊS CORES
O Blues,
O Red,
O Black.
Poesia bleau,
Sentimentos rouge,
Pensamentos noir.
"O sol nascer amarelinho... O amor é azulzinho"
O Red,
O Black.
Poesia bleau,
Sentimentos rouge,
Pensamentos noir.
"O sol nascer amarelinho... O amor é azulzinho"
sexta-feira, 27 de julho de 2012
CAIS, CAOS, CORAÇÃO ou CONFLITOS
Corações
cadavéricos
Ceifados
Caindo
cafajestemente
Cortejando
cais, caos
Cedendo
caprichos
Corrompendo
crenças
Criando
condutas culpadas
Calando
censuras cenozóicas
Celebrando
contrassensos consensuais
Cortejando
chamegos, carícias, carinhos
Combatendo
catástrofes, cataclismos cósmicos
Comprometendo
choros, calmas, cabeças, corações
Confessando
culpas, câncer
Coitado,
caçador!
Conduta
condicional
Cachorro,
cio, coxas, clitóris, cama
César
charlatão
Conquistador
comensal
Calado,
cabisbaixo, com cicatrizes
Criando
comportamento cavalheiresco
Conciliando
casais
Compassando
corações
Canções
carmim, calafrios
Cabimentos
caleidoscópicos
Concordando
com cognomes coexistentes
Configurando
culturas, calendários
Cansados
Cancelamos
caos
Combinamos
cais
Coração
Cais
Caos
"Cavalos calados"
terça-feira, 24 de julho de 2012
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